Morreu nesta quinta-feira, às 6h30 da manhã, o general Jorge
Rafael Videla, aos 87, na prisão de Marcos Paz, em Buenos Aires. O líder da
primeira junta militar que governou a Argentina entre 1976 e 1981 cumpria pena
de prisão perpétua em uma prisão militar.
Videla é o responsável por comandar o aparato de repressão
que, durante o período, matou mais de 30 mil pessoas, de acordo com estimativas
de direitos humanos. Também esteve por trás da sistematização do sequestro de
mais de 500 bebês, filhos de guerrilheiros e militantes desaparecidos. As
crianças foram entregues a famílias de militares.
O general encabeçou o golpe de 24 de março de 1976 que derrubou
o governo de Isabel Perón e foi o primeiro presidente dos anos de ferro. A
junta era ainda integrada pelo almirante Emilio Massera e pelo brigadeiro
Orlando Agosti.
Depois da recuperação democrática, em 1983, Videla foi
julgado e condenado. As leis de anistia promulgadas por Alfonsín e Menem,
porém, o liberaram. Em 2010, voltou a ser julgado e condenado à prisão
perpétua. Nos últimos anos, vinha enfrentando julgamentos específicos, sobre
roubo de bebês, desaparições, crimes contra civis.
Sua última aparição pública foi durante uma das audiências
do julgamento do Plano Condor, na última terça-feira, quando não quis dar
declarações.
Cecilia Pando, que é amiga da família, disse à radio Once
Diez que o ex-ditador morreu dormindo e que não quis jantar na noite de quinta
(16) "porque se sentia mal". Ainda não se sabem as causas da morte.
Videla é a figura mais emblemática da ditadura argentina,
por ter comandando um dos aparatos de repressão militar mais cruéis da América
Latina. Nos últimos anos, transformou-se num símbolo da retomada dos
julgamentos de crimes de lesa humanidade promovidos pelos governos Néstor e
Cristina Kirchner. Derrubando as leis de anistia que favoreciam o general, o
casal promoveu mais de 700 julgamentos, sendo a condenação de Videla a mais
importante.
Em seu livro "Disposição Final", o jornalista
Ceferino Reato, último a entrevista-lo na prisão, em 2011, conta que Videla até
o fim de seus dias dizia acreditar que o processo de "reorganização
nacional" que promoveu foi um êxito.
Causando choque na população, Videla disse que as mortes
causadas pela repressão haviam sido "necessárias" no processo, e
admitiu pela primeira vez o esquema do roubo de bebês. Videla se considerava um
preso político, e que o kirchnerismo o mantinha preso indevidamente, uma vez
que já tinha sido anistiado.
Depois da reeleição de Cristina, em 2011, quando percebeu
que suas chances de sair com vida da prisão haviam terminado, Videla começou a
dar mais entrevistas a publicações argentinas e espanholas. Recentemente,
sugeriu que a população deveria pegar em armas contra a presidente.
Em seus últimos anos, Videla dormia num quarto de dimensões
pequenas, na prisão do Campo de Maio, antigo centro de detenção clandestina.
Extremamente católico, assistia a missas e rezava, sua mulher o visitava todos
os dias, os filhos e netos também frequentavam a prisão.

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