Sintomático foi ver Mercadante explicando detalhadamente os tais pactos de Dilma, com Gleisi Hoffmann servindo de coadjuvante. Por outro lado, é sabido que egos sem coleira não têm sobrevida longa no convívio com a presidente. Mais um ponto a ser analisado no futuro.
Na oposição, gritos contra o flerte bolivariano que a proposta de Dilma embute. Com efeito, Luiz Inácio Lula da Silva sempre elogiou o que considerava a pujança democrática da Venezuela devido ao número de "eleições" vencidas pelo já morto Hugo Chávez --boa parte delas eram justamente plebiscitos que usavam a "vontade do povo" como massa de manobra para legitimação do regime.
O problema para a oposição, e o Congresso em geral, é que a classe política é o principal alvo das recentes manifestações. Se há insatisfação com qualquer "governo", Dilma dividiu a conta com os parlamentares em sua resposta mais imediata.
Um passeio hoje cedo pelo microcosmo autofágico do Facebook dava sinais de que parecia estar colando a ideia de que Dilma "incluiu" o "povo" no processo decisório --independentemente do fato de que não é assim que as coisas funcionam. Mas ainda é muito cedo para ver se isso se replicará nas ruas. Os protestos marcados para amanhã ajudarão a medir essa temperatura.

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