Uma boa
notícia para a indústria do etanol promete
animar os produtores campistas de
cana-de-açúcar. Uma redução nos juros de financiamentos do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi concedida para a renovação de
antigas áreas de plantio e ampliação dos canaviais. A medida foi tomada pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN), que também reformulou o programa ProRenova,
com o objetivo de instigar e inovar a produção do setor.
As taxas
foram reduzidas para 5,5% ao ano. Anteriormente, os juros correspondiam a taxa
de juros de longo prazo (TJLP), atualmente em 5% ao ano, mais 1,3% ao ano e
taxa de intermediação de 0,5% para empresas médias e grandes, com faturamento
de mais de R$ 90 milhões anuais. Para os pequenos produtores, o custo
financeiro contabilizava a TJLP mais 0,9% ao ano.
Com a
reformulação, o ProRenova — que tem orçamento de R$ 4 bilhões para 2013 — foi
dividido em duas vertentes: o ProRenova-Rural dará apoio a produtores rurais e
cooperativas e o ProRenova-Industrial é destinado a empresas que participam da
cadeia de produção de açúcar e de etanol, como usinas e destilarias.
Além disso, o
Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária
(Inovagro) também foi instituído pelo CMN com a meta de estimular inovações e
melhorias tecnológicas nas plantações de cana-de-açúcar.
Para o
secretário de Agricultura de Campos, Eduardo Crespo, a iniciativa é bem-vinda e
representa uma ação importante no aquecimento da indústria, apesar de
dificilmente ser uma solução para a crise atual do preço do açúcar e do etanol.
— Estamos
vivendo um momento muito delicado. Essas intervenções vão melhorar a
competitividade e qualidade do setor, que é consolidado a nível nacional.
Infelizmente, apenas as ações do governo local não são suficientes para reverter
a crise do preço, e essas ações, infelizmente, talvez não sejam suficientes
para causarem impacto aos pequenos produtores de Campos — destacou o
secretário.
Segundo o
presidente da Associação dos Plantadores de Cana (Asflucan), Carlos Frederico
Veiga, a redução dos juros e o incentivo às inovações tecnológicas nas lavouras
não são medidas suficientemente efetivas para fazer o setor se destacar no
mercado.
— Aprovo os
esforços que estão finalmente sendo feitos para instigar a indústria do etanol,
até porque deixaram de nos atender por um bom tempo em nossa região. Porém,
isso não é suficiente para sairmos da situação de mercado desfavorável que
temos sofrido devido ao preço do açúcar. O preço está muito baixo e essas
medidas se tornam inertes à medida que não há preço. Acredito que é preciso que
o governo se estruture para organizar o controle da produção. Além disso, a
melhor medida para sairmos dessa situação é estimular o maior consumo do etanol
em detrimento à gasolina — disse Veiga.
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