O episódio
internacional que revela a espionagem norte-americana na internet e telefonia
brasileiras tem tudo para se tornar um grande evento de Comunicação.
Não somente
pelo fato de nossas telecomunicações terem sido violadas pelos serviços
secretos americanos. Mas também porque a imprensa vai dar grande espaço para o
ocorrido. E ainda, serão adotados procedimentos técnicos que passarão pela
administração de crises, assessoria de imprensa, alinhamento de discursos e
gestão da informação – importantes ferramentas de Comunicação.
Orientadas
por seus assessores, nossas autoridades parecerão indignadas frente ao que
chamarão de invasão, espionagem e violação de soberania. Do outro lado,
administrando o momento difícil, Obama pouco aparecerá na mídia e o assunto
será sempre tratado como um mero monitoramento de conteúdo. Coisa que - diriam
se pudessem – somente se concebe em países de primeiro mundo.
Na lida com a
imprensa, enquanto Dilma só poderia contar com o previsível Franklin Martins,
os norte-americanos lançarão mão de seus principais gestores de informação e
especialistas em crises. Em alguns dias, os países lançarão notas conjuntas –
alinhando os discursos - repudiando toda e qualquer invasão de privacidade e
que providências para mudar o cenário atual serão tomadas.
Usando a
linguagem que todos entendemos, os americanos sequer levarão cartão amarelo,
quando muito, um olhar de censura do árbitro. Pode isso, Arnaldo? E essa
arapongagem norte-americana, em breve, será motivo de boas risadas.
Infelizmente.

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