As ações da
empresa petrolífera OGX na Bovespa despencaram ao longo do dia na medida em que
a empresa acenava com a possível parada de produção. O revés no mercado levou a
reboque outras ações do grupo em efeito dominó. O dia negro nas empresas de
Eike Batista começou nesta manhã quando as ações da OGXP3 despencaram após
abrir em queda de 26,58% a R$ 0,58.
As ações
conheceram a maior queda por volta das 11 horas quando chegaram a R$ 0,50. A
queda foi de mais de 30%. Ações de outras empresas do grupo também sofreram no
pregão em efeito dominó. A ação da LLX caiu 8,08% e caiu para R$ 0,91 enquanto
a MMX caiu 9,52% sendo cotada a R$ 1,33 liderando as perdas na Bovespa. As fortes
quedas foramo observadas também nos papéis da OSX, cotado a R$ 1,27 – e queda
de 9,29%.
Em comunicado
enviado ao mercado na manhã de segunda-feira, a OGX anunciou a suspensão do
desenvolvimento dos campos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia. No
mesmo instante, oomentarista de economia do jornal Terceira Via, nosso
ex-blogueiro Álvaro Barcelos conversou com nosso editor e declarou: “Estas
ações podem virar pó ao final do dia”, lamentou. E foi o que aconteceu.
A EBX emitiu
nota afirmando ter concluído uma análise detalhada do comportamento de cada um
dos três poços dos campos de Tubarão Azul desde o início da produção até hoje.
“O resultado dessa análise foi no sentido de que não existe, no momento,
tecnologia capaz de viabilizar economicamente qualquer investimento adicional
nesse campo visando aumentar o seu perfil de produção e os poços atualmente em
operação poderão cessar de produzir ao longo de 2014”, informou a empresa.
“Grupo EBX é
solvente, mas vai enfrentar uma situação oposta há de anos recentes: agora vai
ter uma dificuldade muito grande de levantar recursos no mercado, seja via
crédito ou emissão de ações”. A afirmação é de Armando Castelar, coordenador de
Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas
(Ibre/FGV).
O economista
disse que a EBX precisará se “desalavancar”, o que envolverá a venda de ativos
- como já vem ocorrendo - e adotar um ritmo mais lento de expansão nas
atividades que ficarem no grupo. Castelar entende, no entanto, que esta não é a
melhor hora: “Em um momento em que, por problemas com a política econômica e a
mudança no quadro externo, a confiança na economia brasileira vem caindo, é
ruim que um grande e conhecido grupo empresarial passe por problemas tão
sérios. Mas em termos macroeconômicos as repercussões, com exceção das que
vierem pelo canal da confiança, são relativamente modestas”, avaliou.
O economista,
que é professor do Instituto de Economia da UFRJ, atuou como analista da Gávea
Investimentos, pesquisador do IPEA e chefe do Departamento Econômico do BNDES.
Castelar oferece uma receita para o empresário Eike Batista: “Eu imagino que o
plano deve ser avançar com o enxugamento, promovendo a desmobilização e a
redução do endividamento. A venda de ativos vai diminuir o tamanho do Grupo,
que depois terá seu crescimento mais orgânico. A dificuldade será superar esse
momento de crise de confiança. Por isso manter um grau elevado de liquidez é
importante”, concluiu.

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