terça-feira, 2 de julho de 2013

OGX derrete e ações do grupo EBX se pulverizam


As ações da empresa petrolífera OGX na Bovespa despencaram ao longo do dia na medida em que a empresa acenava com a possível parada de produção. O revés no mercado levou a reboque outras ações do grupo em efeito dominó. O dia negro nas empresas de Eike Batista começou nesta manhã quando as ações da OGXP3 despencaram após abrir em queda de 26,58% a R$ 0,58.
As ações conheceram a maior queda por volta das 11 horas quando chegaram a R$ 0,50. A queda foi de mais de 30%. Ações de outras empresas do grupo também sofreram no pregão em efeito dominó. A ação da LLX caiu 8,08% e caiu para R$ 0,91 enquanto a MMX caiu 9,52% sendo cotada a R$ 1,33 liderando as perdas na Bovespa. As fortes quedas foramo observadas também nos papéis da OSX, cotado a R$ 1,27 – e queda de 9,29%.
Em comunicado enviado ao mercado na manhã de segunda-feira, a OGX anunciou a suspensão do desenvolvimento dos campos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia. No mesmo instante, oomentarista de economia do jornal Terceira Via, nosso ex-blogueiro Álvaro Barcelos conversou com nosso editor e declarou: “Estas ações podem virar pó ao final do dia”, lamentou. E foi o que aconteceu.
A EBX emitiu nota afirmando ter concluído uma análise detalhada do comportamento de cada um dos três poços dos campos de Tubarão Azul desde o início da produção até hoje. “O resultado dessa análise foi no sentido de que não existe, no momento, tecnologia capaz de viabilizar economicamente qualquer investimento adicional nesse campo visando aumentar o seu perfil de produção e os poços atualmente em operação poderão cessar de produzir ao longo de 2014”, informou a empresa.
“Grupo EBX é solvente, mas vai enfrentar uma situação oposta há de anos recentes: agora vai ter uma dificuldade muito grande de levantar recursos no mercado, seja via crédito ou emissão de ações”. A afirmação é de Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
O economista disse que a EBX precisará se “desalavancar”, o que envolverá a venda de ativos - como já vem ocorrendo - e adotar um ritmo mais lento de expansão nas atividades que ficarem no grupo. Castelar entende, no entanto, que esta não é a melhor hora: “Em um momento em que, por problemas com a política econômica e a mudança no quadro externo, a confiança na economia brasileira vem caindo, é ruim que um grande e conhecido grupo empresarial passe por problemas tão sérios. Mas em termos macroeconômicos as repercussões, com exceção das que vierem pelo canal da confiança, são relativamente modestas”, avaliou.
O economista, que é professor do Instituto de Economia da UFRJ, atuou como analista da Gávea Investimentos, pesquisador do IPEA e chefe do Departamento Econômico do BNDES. Castelar oferece uma receita para o empresário Eike Batista: “Eu imagino que o plano deve ser avançar com o enxugamento, promovendo a desmobilização e a redução do endividamento. A venda de ativos vai diminuir o tamanho do Grupo, que depois terá seu crescimento mais orgânico. A dificuldade será superar esse momento de crise de confiança. Por isso manter um grau elevado de liquidez é importante”, concluiu.

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