sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Presidente do IMTT diz que herdou “planejamento zero” na mobilidade urbana

O presidente do IMTT (Instituto Municipal de Trânsito e Transportes), Álvaro Oliveira, disse na Câmara de Vereadores, durante a sessão especial na tarde de quarta-feira (16) sobre “Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana”, que muitas das ações que contemplam o transporte público em Curitiba, cidade-modelo do País nesta área, estão sendo implementadas em Campos.

“Fico feliz porque muitas das ações que contemplam o sistema em Curitiba estão sendo implementadas em Campos. É verdade que herdamos muitos problemas. O planejamento deixado pelos governos passados foi zero. Não temos no IMTT sequer uma folha com dados sobre demandas futuras e estimativas, o número de vias, ônibus ou automóveis no município”, afirmou.

O presidente da Comissão de Transportes e Trânsito da Câmara, vereador José Carlos Monteiro, que teve a iniciativa de requerer a sessão, anunciou que a Comissão se reúne sempre às quintas-feiras, a partir das 14h, e recebe em seu gabinete, reclamações e sugestões de usuários do transporte coletivo, para serem encaminhadas aos órgãos competentes.

O presidente da Casa de Leis, vereador Edson Batista, disse que é necessário planejar para que erros como o de São Paulo, onde uma pessoa leva duas horas para chegar ao trabalho, não se repitam. “Queremos construir uma cidade para os próximos 20 anos com mobilidade urbana e qualidade de vida. Da mesma forma que precisamos diversificar os modais de transporte, como será feito em Campos, com o aeromóvel”.

Convidada para uma palestra na sessão especial, a engenheira Silvia Mara dos Santos Ramos, coordenadora de Institucionais da Urbes, empresa de economia mista que gerencia o transporte e a mobilidade urbana de Curitiba, detalhou o projeto desenvolvido na capital paranaense, que é modelo para o país.

Segundo ela, o ônibus é o único meio de transporte na cidade, não possuindo metrô e nem trem. “Temos 81 quilômetros de corredores exclusivos para os ônibus. São 355 linhas e 21 terminais. A tarifa é única no valor de R$ 2,70, caindo para R$ 1,50 aos domingos”, explicou ela, destacando que o planejamento urbano teve início na década de 60, sendo implantado efetivamente em 1974.

Álvaro Oliveira disse ainda que todo planejamento viário de Campos está sendo executado agora. Ele citou o aeromóvel, que ligará o bairro Aeroporto ao Jóquei Clube, com 11 estações, como um dos projetos inovadores trazidos pela prefeitura em convênio com o governo federal, além da licitação do transporte coletivo com a ampliação de novas linhas de ônibus. “Quando Rosinha Garotinho assumiu o governo tínhamos 16 quilômetros de ciclovia e agora são 45. Estamos planejando mais 20 quilômetros para até o final do governo”, acrescentou Álvaro.

Silvia Mara ressalvou que Curitiba não tem a pretensão de ser modelo para nenhuma cidade do país ou do mundo. “Cada comunidade tem suas peculiaridade e sua cultura, mas lá nós temos um sistema que funciona como fruto de um planejamento que vem desde a década de 60, com um projeto que foi implantado em 1974. Mas alguns pontos podem implementados como tem sido feito aqui em Campos, como é o caso da construção de ciclovias e a integração de outros modais com o sistema principal, que é o transporte de ônibus”, analisou.

Silvia Mara também destacou que o processo de licitação para criação de novas linhas é outro ponto também muito importante bem como a implantação do centro de controle operacional.

O diretor de trânsito do IMTT, Paulo Dias, defendeu uma mudança de cultura e disse que existe uma defasagem de muitos anos nessa área. “Tínhamos que estar executando agora o que deveria ter sido planejado antes, mas não é isso o que vem acontecendo, mas sou otimista”.

O líder do governo na Câmara, vereador Paulo Hirano, explicou que existe uma lei desde 2001, que prevê educação de trânsito nas escolas. Ele falou ainda do não cumprimento de regras pelos motociclistas. “Nada contra os motociclistas, mas eles precisam se enquadrar às leis de trânsito. Se não for pela conscientização, e defendo a intensificação das campanhas, que seja pelo braço repressor da lei e das multas. A quantidade de acidentes é enorme, sendo que 50% vão a óbito; 40% ficam com seqüelas, mutilados”, finalizou.

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