A apresentação da peça “O Auto de Criação da Câmara Municipal” encantou os que compareceram na Câmara de Vereadores de Campos na noite desta quarta-feira (26). A encenação, com duração de 40 minutos, aconteceu nas escadarias do Palácio Nilo Peçanha, sede do Legislativo, que ficou completamente tomada.
Todos os presentes receberam o texto do espetáculo, baseado no livro Câmara de Campos, 360 anos, de Avelino Ferreira, atual superintendente administrativo da Casa de Leis.
Com a realização da peça, a Câmara também prestou uma homenagem a Campos, nas comemorações dos 179 anos de elevação à categoria de cidade.
A autoria foi do dramaturgo e jornalista, Winston Churchill, com cenário e figurino de Ronei Brandão, direção musical de Átila de Carvalho e produção, Nana Rangel.
Churchill explicou que a opção pelo formato Auto para teatralizar fatos históricos de Campos se dá por suas qualidades, pois é gênero teatral clássico e didático que utiliza versos, dança e música. “O Auto foi muito utilizado aqui no Brasil pelos padres da Companhia de Jesus, principalmente por José de Anchieta, na catequese dos índios”.
Ele disse que o texto poético ressalta a formação democrática da Câmara, com seus membros eleitos e não por obediência à ordem real, na época em que o país era colônia portuguesa. “A intenção dessa montagem foi despertar no público o interesse pelo conhecimento de nossa história, grande parte dela construída pela Câmara Municipal”.
O espetáculo contou parte da história da formação da Câmara, em 1652, começando com a efetiva colonização em 1933, quando foram trazidos para a então Capitania da Paraíba do Sul, os primeiros bovinos. Por isso, a história começa com o boi.
Para o presidente da Casa, vereador Edson Batista, a peça foi uma maneira de resgatar a história com arte, bom humor e, com isso, “preservar nossa identidade”. Para ele, os professores, estudantes e a população em geral não podem continuar desconhecendo a história, os fatos e pessoas marcantes desde a capitania de São Thomé até os dias atuais.
Na opinião do presidente, um povo sem memória está fadado ao desaparecimento, ao esquecimento. “Temos o dever de preservar a nossa História, nossos patrimônios material e imaterial e, por isso, o nosso Legislativo promove eventos culturais como esse”, afirmou.
O vereador Paulo Hirano ressaltou o momento como histórico. “A história é antiga e muito rica. As pessoas devem procurar uma biblioteca mais próxima para aprofundar o conhecimento sobre a Casa de Leis”.
Já Avelino Ferreira disse estar honrado de ter um texto seu encenado por um grande diretor como Churchill. “A satisfação também é grande pelo fato de a Câmara estar recebendo artistas da terra. Essa história nunca foi contada e tudo isso só está acontecendo graças à sensibilidade do Dr. Edson Batista, que tem se preocupado em resgatar o patrimônio histórico e cultural do município”.
O Auto foi a terceira peça que Churchill apresentou na Câmara. Em maio do ano passado foi o Auto sobre a elevação da Vila de São Salvador à categoria de cidade e em dezembro, a vida de Nilo Peçanha, narrada em versos de cordel.

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