quinta-feira, 15 de maio de 2014

CRÔNICA DE CAMPOS - HERBSON Freitas - SOBRE VIRGÍNIA LANE

Muita gente não sabe, mas a famosa vedete Vigínia Lane, falecida recentemente, esteve em Campos, passando uma semana, com a sua com-panhia de revista ou revistas, conhecido também como teatro rebolado, na década de 60, mais precisamente em 1963. Se não me falha a memória, foi só uma revista apresentada e tinha o título de “Copacabana & Cia.”.

Virgínia se apresentou no Ginásio Olavo Cardoso do Automóvel Clube Fluminense, quando o mesmo era palco de grandes espetáculos, como desfiles de miss e de moda; circo de Orlando Orfei; concursos de músicas carna-valescas; espetáculos teatrais e festivais sertanejos.

Tive o prazer de conhecê-la, pessoalmente, graças ao saudoso diretor do ouro-azul Hélio Moll, que fez questão, como jornalista atuante naquele tempo, talvez mais por amizade, que entregasse à chamada “vedete do Brasil”, slogan colocado pelo presidente Getúlio Vargas, uma placa de prata para registrar a sua passagem pela terra campista.

Sem sombra de dúvida, Virgínia Giaccone ou Virgínia Lane era uma “coisa de analfabeto”, como dizia, na mocidade, o inesquecível cronista Dalton Castro. Era um tipo mignon, mas muito bonita, carismática e talentosa. Por isso, foi considerada uma das mais importantes vedetes do teatro e do cinema do país.

Virgínia era atriz, cantora e dançarina. Como cantora estourou com “Sassaricando” ou “Saçaricando” , marchinha até hoje cantada nos bailes de Carnaval. No cinema, atuou em 37 filmes e, na televisão, participou, nos áureos tempos da TV Tupi, de vários programas, inclusive comandou um programa infantil.

Também fez parte da radiofonia brasileira, atuando na Rádio Tupi, no programa “Garota Bibelô”, sob o comando de César Ladeira. Do rádio foi um pulo para o Cassino da Urca, onde trabalhou como crooner e dançarina.

Virgínia fez sucesso em Campos, pela sua inteligência, vivacidade e comunicabilidade, e pelas garotas (girls) que vieram (uma ou duas ficaram em Campos). Seus números de platéia agradavam e agradaram em cheio aqui, porque sabia se comunicar com o público, com carinho e sem ofender quem quer que seja. Dizem até, que essa “classe”, era porque ela tinha curso superior. Havia estudado direito.

No mais, sobre ela, contam muitas histórias. Aliás, ela mesma gostava de exagerar e criar fatos que não são devidamente comprovados, como se relacionar intimamente com Getúlio Vargas; estar com ele na hora do suicídio; possuir as pernas (e únicas) mais bonitas do Brasil (mas eram bonitas), e que o slogan “a vedete do Brasil” – repito - fora dado por Getúlio e não por César Ladeira, que gostava de alcunhar todos os artistas.

Mas nada disso tira o mérito de Virgínia Lane, que marcou época, e, aos 93 anos de idade, ainda “dava no couro”, segundo ela. No entanto, na realidade, ultimamente, Virgínia estava mesmo era confundindo “balde de ga-ri, com Garibaldi”. (Março/abril-2014).

(*) Jornalista.

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