Burro pagava licença
Muita gente não sabe, ou melhor, os jovens não sabem muito sobre Campos dos Goytacazes, isto é, sua história, sua gente e suas coisas; como, por exemplo, que a nossa terra cobrava, como talvez, em outras cidades, licença de tudo... ou quase tudo; usando, nos casos a seguir, o processo de em-placamento.
Foi na primeira administração do ex-prefeito Rockefeller Felisberto de Lima, se não me falha a memória, que as licenças e placas - não de automóveis – foram abolidas. Mas... placas? Sim. Antigamente, as bicicletas precisavam de licença para circular, expedida pela prefeitura e eram em-placadas.
Aliás, também as carroças puxadas a cavalo e burro, os engraxates e carregadores, que eram muitos, tinham que ser emplacados pela Muni-cipalidade. Era uma placa cor de tijolo ou abóbora, com o nome da cidade, estado, numeração e a função de cada um deles.
Com o tempo, as carroças de tração animal diminuíram, os carregadores desapareceram e os engraxates hoje são raríssimos. As bicicletas, não. Elas estão aí, firmes e fortes, sem precisar mais de licença da Prefeitura. No entanto, deveriam, como outrora, trafegarem com farol a dínamo e campainha.
Nos dias atuais, mais do que nunca, no momento em que o perigo ronda Campos, principalmente à noite, esses acessórios são bastante necessários. E muito cuidado deve ter aquele que pedala pelas ruas estreitas e algumas es-buracadas da cidade, em face das fortes chuvas que arrasam tudo quando caem.
Muita coisa mudou, mas ainda existem marcas do passado, que são muitas. Marcas que relembram a época da cidade interiorana, com cheiro de vinhoto, porque o açúcar era a sua maior indústria.
Tudo isso ocorria no tempo das palmeiras e árvores pau-brasil na Praça do SS. Salvador e das ruas, principalmente a Rua 13 de Maio, toda arborizada, encobrindo velhos casarões.
Atualmente, aqui, com o passar dos anos, o cenário mudou. Houve mu-dança. Muitos fatos caíram no esquecimento. Passaram a ser coisas de na-tigamente...
Sinal dos tempos!
(*) Jornalista.

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