quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O primeiro debate dos candidatos ao governo do Rio, realizado nesta terça-feira pela TV Bandeirantes, no teatro Oi Casagrande, no Leblon, foi marcado por ataques que tiveram, como principal alvo, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Logo no primeiro bloco, o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e Pezão trocaram acusações, ao comentar a transferência de recursos federais para obras após as chuvas da Região Serrana, em 2011.

Ao responderem sobre Segurança Pública, Marcelo Crivella (PRB), Garotinho e Pezão foram contra a desmilitarização da PM. Já o senador Lindbergh Farias (PT) e o professor Tarcísio Motta (PSOL) defenderam a proposta. Todos ainda responderam sobre os temas Educação e Transporte.

O clima esquentou logo na primeira rodada. Ao falar sobre a tragédia da Região Serrana, Garotinho questionou Pezão sobre processos abertos no Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público Federal, Ministério Público estadual e Controladoria-Geral da União (CGU) por conta de verbas do governo federal que, supostamente, não teriam sido aplicadas para "fazer casas, encostas e pagar aluguel social". Pezão respondeu:

- Tenho orgulho da minha atuação na Região Serrana. Fui o primeiro a chegar depois do Corpo de Bombeiros. Estamos fazendo 1.300 residencias. Fizemos 1.900 indenizações. Até o fim do ano, serão 3.200 moradias em Nova Friburgo, Teresópolis, Bom Jardim, Petrópolis e Areal. Fizemos mais de 63 pontes. Estamos construindo 23. Fizemos mais de 60 encostas. Não tenho processo no TCU. Não me arrependo de nada do que fiz na Serra.

Na réplica, Garotinho acusou de Pezão de mentir e disse que o ex-prefeito de Bom Jardim, Afonso Monnerat, e o secretário estadual de Obras, Hudson Braga, respondem a processo relacionados ao caso. Na tréplica, Pezão acusou Garotinho de ser "campeão" de processo e lembrou que é "prática comum da democracia" responder aos órgãos citados.

Em seguida, o governador perguntou a Crivella sobre Educação, tema que ocupou boa parte do debate no primeiro bloco. O senador disse que a estrutura educacional do estado "não prepara o jovem para esse mercado competitivo que temos no país", lembrando que "500 mil jovens nem estudam e nem trabalham no Rio".

CRÍTICAS AO METRÔ

Pezão se defendeu, destacando que seu governo trouxe empresas para o estado, atraindo investimentos. Disse também que o Rio é "o segundo polo siderúrgico do país e o segundo polo automotivo do país". Crivella voltou a criticá-lo:

- Não estou tão otimista. Não vejo esse clima nas ruas. O Rio não gerou esse tanto de empregos. A receita pública cresceu menos que a de Minas Gerais. Perdemos o segundo lugar de ICMS do Brasil. O ensino básico temos os piores índices na Educação. Não posso festejar.

Crivella dirigiu sua pergunta a Lindbergh e o questionou sobre a prevalência de ônibus no transporte público do Rio. O petista, em sua primeira participação, anunciou sua proposta de campanha para, em seguida, atacar o governo:

- O atual governo gastou R$ 8,5 bilhões no metrô de Ipanema a Barra da Tijuca. É importante, mas a outra parte está abandonada. Ninguém fala em metrô para a Baixada. O metrô da Pavuna para a 300 metros da Baixada e não entra - disse Lindbergh.

Na réplica, Crivella atacou o Bilhete Único e a suposta falta de transparência da Fetranspor. Disse que "o estado não tem controle sobre isso". Na tréplica, Lindbergh citou o ex-presidente Lula, dizendo que aprendeu com ele que deveria "governar para todos".

Lindbergh quis saber de Tarcísio quais são seus projetos para Educação. O candidato do PSOL criticou a proposta de Lindbergh para o setor:

- Não precisamos ficar inventando propostas. Precisamos dar condições para professores e profissionais realizarem seu trabalho. Li seu programa (de Lindbergh), a proposta do Ciep do Século XXI. Tem que ter cuidado para não cometer o mesmo erro que o (Leonel) Brizola cometeu: fazer Ciep e abandonar o resto da rede - disse Tarcísio.

Lindbergh se defendeu. Disse que, em Nova Iguaçu, fez "o melhor plano de cargos e salários" e que "Educação foi prioridade". Em seguida, o petista atacou Pezão, lembrando que fez eleições diretas para diretor de escola e que o PMDB do governador acabou com isso.

Quando a questão da desmilitarização da Polícia Militar do Rio entrou em questão, motivada por uma pergunta de um internauta, Garotinho disse que se trata de "um processo para o qual nós não estamos preparados". Crivella foi pelo mesmo caminho. Defendeu a instalação de uma corregedoria. Pezão afirmou que "o estado ainda não está preparado". Lindbergh e Tarcísio defenderam a desmilitarização da PM.

- Sou a favor. Sou o autor dessa PEC em debate no Congresso. As polícias de Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha são assim - disse Lindbergh.

- Nós do PSOL somos a favor da desmilitarização. É um elemento trazido pelas manifestações de junho - disse Tarcísio.

SEGURANÇA PÚBLICA

No segundo bloco, os cinco candidatos responderam a perguntas enviadas por telespectadores pelo WhatsApp. Crivella apresentou suas propostas para a Segurança Pública em São Gonçalo.

- A questão da Segurança chegou ao ponto de completo descalabro, sobretudo na questão de contingente. Podemos fazer um batalhão de motociclistas. Essa é uma ideia que recebei do meu vice, que era o general que, até pouco tempo, comandava a 1ª Divisão de Exército e comandou a segurança do Papa Francisco.

Crivella disse ainda que não se deve retroceder no projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Em seguida, Lindbergh respondeu sobre como melhoraria o serviço de transporte pela Baía de Guanabara:

- A concessionária que faz o serviço das barcas é a mesma da Ponte Rio-Niterói. Ninguém consegue me explicar por que não tem barca para São Gonçalo.

Aproveitando a pergunta anterior, sobre Segurança Pública, Lindbergh comentou:

- É preciso manter as UPPs, mas o atual governo olhou só para as UPPs e esqueceu dos policiais nas cidades. Quem anda no interior do estado e em São Gonçalo sabe do que estou falando.

Tarcísio falou sobre mobilidade ao ser questionado sobre as propostas para diminuir a superlotação na Linha 1 do metrô:

- O atual governo fez uma gambiarra na Linha 1, criou um desvio. Se já era um metrô que não trabalhava em rede, fizeram com que virasse um metrô tripa - criticou, propondo a ligação entre as estações Gávea e Uruguai e, a partir dessa linha circular, fazer a rede do sistema.

Ao responder sobre eficiência dos serviços públicos, Garotinho voltou a criticar Pezão, estratégia que usou durante todo o debate:

- Quero deixar claro que este governo está praticando o maior processo de terceirização e privatização do estado de todos os tempos. Fui visitar o (hospital) Getulio Vargas, e os funcionários que estavam ali, os últimos eram do concursos que eu fiz - afirmou.

Na última parte do bloco, todos responderam sobre o plano para o transporte complementar.

Pezão disse que legalizou as vans e as incluiu no sistema do Bilhete Único. Lindbergh disse que legalizou as vans em Nova Iguaçu e que fará o mesmo no estado. Tarcísio disse ser a favor da legalização do transporte complementar. Já Crivella afirmou que esse tipo de transporte não pode ser exercido por empresas de ônibus. Garotinho afirmou que "o governo de Cabral e Pezão" cassou mil concessões dadas por ele e mais de 500 dadas por Rosinha Garotinho, sua sucessora. O ex-governador se gabou de ser chamado de "padrinho do transporte alternativo".

ABASTECIMENTO

No final do bloco, todos responderam sobre a legalização da maconha. Apenas Tarcísio mostrou-se favorável à medida:

- Legalizar é controlar, fazer campanha educativa e tratar como Saúde pública. O que fez a redução do tabaco? Campanhas de conscientização.

No quarto bloco, os candidatos responderam a perguntas enviadas por representantes de setores da sociedade. A questão da falta de água em áreas do estado, principalmente na Baixada Fluminense, dominou essa parte do debate. Logo no início, Lindbergh disse que o problema poderia ser resolvido com troncos e elevatórias, num investimento total de R$ 500 milhões.

Pezão afirmou que a Cedae era uma empresa que dava prejuízo de R$ 30 milhões por mês e hoje é adimplente. Garotinho disse que Rosinha construiu uma nova adutora na Baixada e o que falta é a ligação com os municípios. Tarcísio afirmou que é preciso garantir abastecimento e saneamento para toda a Baixada. Já Crivella declarou que a água está disponível, mas muitas vezes, vai para os carros-pipas, onde pode ser cobrado mais por ela.

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