Depois de uma longa assembleia, médicos de hospitais contratualizados
de Campos decidiram continuar trabalhando e seguir com as tentativas de
negociação de pagamento dos repasses com a Secretaria Municipal de
Saúde do município.
Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, José Roberto
Crespo, o objeto é continuar mobilizando a categoria, assim como o
poder público a realizar os repasses. “Os médicos estão há nove meses
sem receber. Muitos profissionais e serviços estão parados. Acabou
aquela história de que médicos só vivem no glamour, somos assalariados
como qualquer outro trabalhador”, disse o presidente.
Ainda de acordo com José Roberto, o sistema de saúde tem um
investimento, não só do governo federal, mas a parte municipal também
não é feito regularmente aos hospitais contratualizados.
Com relação ao não pagamento por parte do Poder Público, o presidente
do sindicato diz que falta determinação política. “Nós temos tentado
sensibilizar cada vez a administração municipal, já mudou os secretários
de Saúde e de Governo, mas falta determinação política, de entender que
saúde é prioridade A. Então o que percebemos é que não existe
compromisso com a saúde pública, porque se você sabe que ali está
lidando com vidas, não pode ter shows, não pode ter festa,
carnaval, nada. O recurso tem que ser desviado para salvar vidas, para
não faltar insumo, material e atendimento”, disse o médico.
Entre as unidades contratualizadas estão: a Santa Casa de
Misericórdia de Campos, Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital
Escola Álvaro Alvim e Hospital Plantadores de Cana. José Roberto
ressaltou ainda que esses hospitais não são de responsabilidade do Poder
Público, mas o grande problema é que os recursos dos serviços
contratualizados não são repassados de forma integral.
Questionado se a situação da saúde em Campos estaria próxima da que
vem ocorrendo no município do Rio de Janeiro, o médico disse
que, “Campos tem hospitais públicos fortes, que são o HFM e HGG. Existe
hoje uma quebra naquela organização que existia antes. Hoje tem
profissional, mas falta material, os insumos, tem uma deficiência sim. O
município está pecando na reposição regular dos insumos, então não
temos o caos do Rio de Janeiro, mas ainda assim a realidade de hoje é
muito pior e falta manutenção dos aparelhos, dos hospitais, pois se for
ao Ferreira Machado vai ver que está feio, sujo, mal tratado, havendo
uma restrição no investimento à saúde”, ressaltou o presidente.

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