quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Há nove meses sem salários, médicos de hospitais contratualizados continuam trabalhando


Depois de uma longa assembleia, médicos de hospitais contratualizados de Campos decidiram continuar trabalhando e seguir com as tentativas de negociação de pagamento dos repasses com a Secretaria Municipal de Saúde do município.
Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, José Roberto Crespo, o objeto é continuar mobilizando a categoria, assim como o poder público a realizar os repasses. “Os médicos estão há nove meses sem receber. Muitos profissionais e serviços estão parados. Acabou aquela história de que médicos só vivem no glamour, somos assalariados como qualquer outro trabalhador”, disse o presidente.
Ainda de acordo com José Roberto, o sistema de saúde tem um investimento, não só do governo federal, mas a parte municipal também não é feito regularmente aos hospitais contratualizados.
Com relação ao não pagamento por parte do Poder Público, o presidente do sindicato diz que falta determinação política. “Nós temos tentado sensibilizar cada vez a administração municipal, já mudou os secretários de Saúde e de Governo, mas falta determinação política, de entender que saúde é prioridade A. Então o que percebemos é que não existe compromisso com a saúde pública, porque se você sabe que ali está lidando com vidas, não pode ter shows, não pode ter festa, carnaval, nada. O recurso tem que ser desviado para salvar vidas, para não faltar insumo, material e atendimento”, disse o médico.  
Entre as unidades contratualizadas estão: a Santa Casa de Misericórdia de Campos, Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital Escola Álvaro Alvim e Hospital Plantadores de Cana. José Roberto ressaltou ainda que esses hospitais não são de responsabilidade do Poder Público, mas o grande problema é que os recursos dos serviços contratualizados não são repassados de forma integral. 
Questionado se a situação da saúde em Campos estaria próxima da que vem ocorrendo no município do Rio de Janeiro, o médico disse que, “Campos tem hospitais públicos fortes, que são o HFM e HGG. Existe hoje uma quebra naquela organização que existia antes. Hoje tem profissional, mas falta material, os insumos, tem uma deficiência sim. O município está pecando na reposição regular dos insumos, então não temos o caos do Rio de Janeiro, mas ainda assim a realidade de hoje é muito pior e falta manutenção dos aparelhos, dos hospitais, pois se for ao Ferreira Machado vai ver que está feio, sujo, mal tratado, havendo uma restrição no investimento à saúde”, ressaltou o presidente.

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