Os motoristas e cobradores das empresas São Salvador, São João e
Turisguá se reuniram na sede do sindicato da categoria, nesta
terça-feira (19), para decidir os rumos da paralisação que acontece
desde o último dia 6. Os trabalhadores ainda não receberam os pagamentos
dos meses de fevereiro e março. Além disso, a São Salvador não pagou a
segunda metade do 13º salário. As empresas alegam que aguardam o
repasse da Prefeitura de Campos para honrar os compromissos.
Ainda na reunião desta terça, de acordo com o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas e Passageiros de
Campos, Roberto Virgílio, foi revelado que a Rogil também estaria com o
pagamento do mês de março em atraso. “As empresas do transporte coletivo
de Campos não têm conseguido pagar seus funcionários até o 5º dia útil.
E os funcionários ficam em uma situação difícil, pois as contas não
esperam. O sindicato está ao lado dos trabalhadores nessa luta”, afirmou
Virgílio.
Greve:
De acordo com o sindicato, cerca de 500 trabalhadores das três empresas
em greve estão rodando com 30% da frota, conforme determina a lei. “Os
funcionários não estão satisfeitos com a inércia do poder público diante
dessa situação. O que dizer ao credor? As pessoas têm contas a pagar, e
na maioria das vezes, somente uma renda. Eles (motoristas e cobradores)
não saíram daqui satisfeitos”, ressaltou o presidente.
Um motorista da empresa São Salvador - que teve a identidade
preservada – disse que após a reunião, os funcionários estão pensando na
possibilidade de parar as ativiades em 100%. A intenção do ato, segundo
o motorista, é chamar a atenção da população, uma vez que, rodando com a
frota reduzida, parece que não está afetando o cotidiano dos campistas.
“ A população sofre quando há menos ônibus circulando. A gente sabe
disso. Mas pensa nos pais de família que estão com os salários atrasados
há dois meses? Água e luz? A gente dá um jeitinho brasileiro. Mas, e a
alimentação das crianças? E o aluguel? Tem companheiro aqui ameaçado de
ser despejado do imóvel. Com o nome sujo na praça, quem vai conseguir se
reerguer?”, questiona o motorista.
Sempre respeitando o princípio do contraditório e buscando as
diferentes versões para um mesmo fato, o jornal Terceira Via tentou
contato com as empresas citadas nessa matéria, assim como a prefeitura,
sem obter respostas. Ainda assim, o jornal aguarda e publicará as
versões para este fato.

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