O agravamento da crise econômica do ano passado para cá e a falta de uma saída para a crise política no país impuseram um dos piores cenários que a instabilidade pode causar: o desemprego. Não é à toa que, no Estado, grandes empresas realizaram cortes pesados em seus quadros de pessoal.
Companhias como Vale, Petrobras, Samarco e Jurong, seja de forma direta ou indireta, já demitiram mais de 3 mil trabalhadores desde o ano passado. Somente na Vale, foram 676 fechamentos de postos de trabalho, sendo 558 em 2015 e 118 até a última sexta-feira, de acordo com levantamento do Sindicato dos Ferroviários.
A entidade afirma que, em 2014, a companhia trabalhava com um “turnover” (rotatividade) de 3,4%, ou seja, cerca de 150 funcionários, número bem abaixo da realidade atual. Diante desse quadro, a possibilidade de mais demissões é vista com preocupação.
“No último dia 7, tivemos uma reunião cobrando justificativas para tantas baixas. Mas a empresa não deu respostas, apenas se propôs a fazer reuniões a cada três meses para discutir o assunto”, se posicionou o Sindicato dos Ferroviários.
O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil (Sintraconst-ES) também reclama do elevado número de cortes no segmento. Entre os serviços dessa área que foram impactados estão o de terceirizadas do Estaleiro Jurong Aracruz, empresa que tem passado por instabilidades em função das dificuldades enfrentadas pelo setores petrolífero e naval, aliadas aos desdobramentos da operação Lava Jato.
O secretário-geral do Sintraconst-ES, Miguel Ferreira Junior, cita que o rompimento e a não renovação de alguns contratos no estaleiro representaram o desemprego de cerca de 400 profissionais. “Vemos o setor com muita preocupação. Afinal, enquanto existir essa crise não sabemos o que pode acontecer. O triste é que quem está pagando é o trabalhador”.
Ferreira Junior diz que os problemas não param nas demissões. “Ainda temos situações de empresas que não conseguem arcar com as despesas trabalhistas e é preciso ajuizar ações na Justiça para receber as rescisões devidas”.
O segmento de petróleo e gás é outro que amarga números ruins. O cancelamento de projetos e a suspensão de atividades que eram realizadas no Estado, como o das instalações do TIMS, na Serra, representaram cerca de mil demissões entre diretas e indiretas. E, somente em novembro e dezembro de 2015, 200 trabalhadores de terceirizadas da Petrobras foram desligados, segundo informações do Sindipetro do final do ano passado.
No caso da Samarco, foi o acidente com o rompimento da barragem em Mariana que refletiu no fechamento de vagas. O diretor do Sindimetal, Max Célio de Carvalho, diz que nesse segmento as terceirizadas dispensaram 800 profissionais.

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