O ministro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou
que o PT devolva aos cofres públicos R$ 7 milhões, com correção
monetária, por má utilização dos recursos do Fundo Partidário em 2010. O
dinheiro corresponde a 25% do total recebido pelo PT do erário naquele
ano. As contas do partido foram aprovadas com ressalvas. Em uma das
irregularidades detectadas, a legenda declarou ao TSE ter pago uma
dívida com o Banco Rural no valor de R$ 1,3 milhões. No entanto, no
julgamento do mensalão realizado em 2012 no Supremo Tribunal Federal
(STF), ficou comprovado que os pagamentos não existiram, porque os
empréstimos com o banco eram simulados.
“Para a Corte Suprema, o negócio jurídico firmado entre a agremiação e
a instituição financeira nada mais eram do que simulações. Daí por que,
uma vez constatado o trânsito em julgado daquele pronunciamento, a
conclusão inescapável é de que há a repercussão de seus efeitos
jurídicos no processo de prestação de contas”, explicou Fux na decisão.
Como o dinheiro não teria sido gasto de fato pelo partido, o ministro
determinou a devolução aos cofres públicos.
Outra irregularidade foi o repasse do PT no valor de R$ 106 mil para a
campanha de Dilma Rousseff em período eleitoral. Segundo a área técnica
do TSE, o repasse de dinheiro do Fundo Partidário a candidato em
período eleitoral é ilegal.
Na decisão, Fux cita 57 irregularidades nas contas apresentadas pelo
PT. A maior parte são empresas que teriam prestado serviços de
comunicação e pesquisa, mas a despesa não ficou devidamente comprovada.
Na lista está a Focal Confecção e Comunicação, uma das que mais recebeu
dinheiro da campanha da presidente Dilma Rousseff de 2014. Há suspeita
de que ela seja uma empresa de fachada. Um dos sócios é um motorista que
recebe salário de R$ 2 mil, segundo reportagem publicada pelo GLOBO há
dois anos.
Em 2010, a Focal recebeu R$ 1,6 milhão do PT mas, segundo o TSE, não
houve comprovação da realização do serviço. No entanto, esse dinheiro
não foi somado ao ressarcimento devido pelo PT, porque os gastos teriam
sido feitos com recursos próprios do partido, e não com o Fundo
Partidário.
Outra empresa na lista é a Pepper, uma empresa de comunicação citada
na Operação Acrônimo e também na Lava-Jato por ter supostamente recebido
dinheiro do PT de forma irregular em campanhas eleitorais. Em 2010, a
Pepper recebeu do partido R$ 425 mil. Segundo o TSE, há “ausência de
contratos e de comprovação de serviços”. Esse dinheiro está no total que
deverá ser devolvido pelo PT aos cofres públicos.
Fux também determinou que o partido destine 7% dos recursos recebidos
do Fundo Partidário em 2010 na criação e manutenção dos programas de
promoção e difusão da participação política das mulheres. Na decisão, o
ministro afirmou que o PT não fez isso em 2010. Para o recebimento do
Fundo Partidário, que é composto de dinheiro público e dos partidos, as
legendas precisam investir 5% ao ano no setor. Esse valor teria sido de
R$ 1,6 milhões há seis anos. O PT informou que recorrerá da decisão.

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