segunda-feira, 2 de maio de 2016

De janeiro até março, mais de 2.500 campistas já foram demitidos


Até 2017, o Brasil terá uma das maiores altas no número de desempregados entre os países emergentes, segundo a Organização Internacional do Trabalho. A crise política e econômica nacional agravada em centenas de municípios em razão da redução dos repasses dos royalties contribuiu para as demissões em massa. Campos , por exemplo, ocupa a 37ª posição no ranking nacional, com 2.632 demissões no primeiro trimestre desse ano. Em Macaé, a situação é ainda mais grave. Se comparado ao ano passado, o município avançou somente uma  posição, e esse ano, amarga a 21º colocação. São quase quatro mil demissões entre janeiro e março.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, Macaé extinguiu vagas no setor de serviços (atividades de serviços e comércio de produtos), construção civil, comércio e indústria da transformação (transforma matéria-prima em um produto final).
Já em Campos, as demissões mais significativas foram observadas no setor de serviços, na indústria de transformação, construção civil e na agropecuária. O presidente do Sindicato da Construção Civil, José Eulálio, informou que a paralisação das obras públicas obrigou o setor a demitir mais de cinco mil operários em Campos. “Desde outubro de 2014, as empresas apresentam dificuldades para dar continuidade aos contratos assumidos. Portanto, as demissões de funcionários com carteira assinada já superam a marca dos 5 mil”.
De acordo com Norival Manhães, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campos (CDL), o comércio também tem a sua responsabilidade nas estatísticas de demissões. No entanto, as vagas no setor oscilam seguindo a economia local, como por exemplo, o pagamento do servidor público e estadual estar em dia.
Segundo o Ministério do Trabalho, nenhum município do estado do Rio de Janeiro está entre os 50 que mais contrataram no primeiro trimestre. “Não demitimos, mas também não contratamos”, afirmou o comerciante Sidney do Rosário. Ele afirma que, em 30 de anos de comércio, nunca viu ou ouviu falar de uma crise financeira tão grave como a registrada em 2015, que se arrasta em 2016, e não apresenta boas perspectivas para 2017.
“Com diz um apresentador, estamos (comerciantes) nos virando nos 30. Os clientes não estão comprando nem nas datas especias que antes aqueciam o mercado, como Natal, Dia das Mães e dos Namorados. Os consumidores que ainda têm emprego estão preocupados em pagar as contas dos serviços essenciais (água e luz)”, finalizou o comerciante.

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