Um dos mais importantes desafios dos pequenos pecuaristas é aumentar a
produção de leite. Entre os principais obstáculos competitivos desta
atividade estão o tamanho da propriedade (geralmente limitado), a seca
(que diminui a quantidade de alimentação para o rebanho) e o baixo
desempenho do gado doméstico, reproduzido de forma espontânea. Para
mudar este quadro, produtores de Italva, no Noroeste Fluminense,
participaram esta semana do curso sobre inseminação artificial,
organizado por meio de parceria entre o Programa Rio Rural,da secretaria
estadual de Agricultura, a Emater-Rio e a Empresa de Pesquisa
Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio).
A inseminação artificial promove o melhoramento genético do rebanho,
pois as vacas recebem sêmen de touros de raças com alto desempenho
produtivo, geralmente europeias.
- Com uma boa genética, as vacas têm uma conversão melhor, pois
conseguem transformar o alimento em leite com maior facilidade.
Resumindo: produzem mais - explica Wagner Nunes, técnico da microbacia
Valão da Prata, em Italva.
O melhoramento genético é tão importante para a produção leiteira que
11% dos pecuaristas nacionais já investem em inseminação artificial, de
acordo com dados fornecidos pela Associação Brasileira de Inseminação
Artificial (ASBIA).
O campo como sala de aula — Durante três dias, 17
produtores tiveram aulas teóricas e práticas na Fazenda Experimental, da
Emater-Rio, em Italva. O curso, ministrado pelo pesquisador da
Pesagro-Rio, Pedro Afonso Alves, se baseou no padrão estabelecido pela
ASBIA, que possui regras para manuseio do sêmen e manejo dos animais.
O trabalho de inseminação artificial é feito em dupla. O ajudante é
responsável pela separação do material genético, enquanto o inseminador é
quem aplica o sêmen no útero da vaca por meio de uma pipeta (pequeno
cano).
- No início é complicado adotar a técnica, mas com a repetição aqui no
curso, fica mais fácil. Planejamos diminuir a quantidade do rebanho, mas
produzir mais leite. Isso só será possível com a inseminação - comenta
Patrícia Abelha, que ajuda o marido a cuidar de um curral com 35 vacas
na microbacia Valão Carcanjo.
De acordo com Alves, um dos pontos fundamentais para o sucesso da
inseminação é a identificação do cio. São apenas 12 horas em que a vaca
está preparada para receber o material genético. É preciso que o
inseminador esteja atento aos sinais físicos como cauda erguida e falta
de apetite.
Para o secretário de Agricultura, Christino Áureo, a autonomia dos
produtores é um resultado importante para o fortalecimento da missão de
extensão.

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