Basta dar uma volta pelos principais endereços conhecidos por
concentrar lojas de produtos variados e confecções que o campista
consegue ter uma noção da crise que assola o município e o país. Da área
central à Pelinca, são inúmeros imóveis com placas de aluguel e
comércios – muitas vezes, tradicionais – de portas fechadas. Em Campos,
de janeiro a julho desse ano, 156 atividades administradas por pessoas
jurídicas foram encerradas. Isso significa que, a cada mês, 22 negócios
fecharam as portas. As informações são da Secretaria de Fazenda.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campos
(Sindivarejo), Carlos Eduardo Carvalho, o momento é crítico. Centenas
de comerciantes estão passando por um período financeiro grave. “Nas
nossas reuniões mensais, o assunto principal é a crise e as formas de
sair dela. Porque vamos encontrar uma fórmula, vamos nos reinventar para
atrair de novo o consumidor que está receoso de fazer novas dívidas”,
ressaltou Carvalho. Ele acredita, ainda, que a saída para enfrentar a
crise é cortar gastos, diminuir a margem de lucro e negociar com os
fornecedores.
Graciele Ramos é gerente de uma loja de móveis há 22 anos. Ela afirma
que nunca viu uma crise como essa vivida agora. “Antigamente, quando os
móveis tinham uma durabilidade maior, as pessoas trocavam as peças com
mais frequência. Atualmente, não sei o que as pessoas estão fazendo
porque a nossa venda caiu cerca de 60%. O que entra (dinheiro das
vendas) mal paga a folha de pagamento”, admite.
Todos os setores varejistas estão sentindo os efeitos da crise. Josiane
Carvalho é vendedora em uma loja de confecção unissex. Ela foi
contratada no período do Natal do ano passado e, entre as cinco
demitidas no fim do contrato, ela sobreviveu. Quando pensou que poderia
respirar aliviada, a filial em que trabalhava fechou.

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