O Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba denunciou hoje (9) 15
pessoas em uma ação da Operação Lava Jato. Os denunciados são acusados
dos crimes de corrupção, cartel e lavagem de dinheiro por fraudes no
contrato para construção do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento
Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, no Rio de
Janeiro, onde são feitos estudos sobre a exploração em águas profundas.
De acordo com o MPF, o contrato, assinado em janeiro de 2008 entre o
Consórcio Novo Cenpes e a Petrobras, tinha um valor inicial de R$ 850
milhões e passou para mais de R$ 1 bilhão após aditivos.
Segundo a denúncia, para que o contrato fosse fechado, as empresas que
formavam o consórcio, entre elas a OAS, a Carioca Engenharia, a Schahin,
a Construbras e a Construcap, "ofereceram e efetivamente pagaram mais
de R$ 20 milhões em propinas para funcionários do alto escalão da
Petrobras e representantes do Partido dos Trabalhadores (PT), que dava
sustentação política a tais funcionários corrompidos".
Entre os denunciados, estão o empresário Adir Assad, os operadores
financeiros Rodrigo Morales e Roberto Trombeta, e o operador Alexandre
Correia de Oliveira Romano, além de nove integrantes das construtoras do
consórcio. Também foram denunciados o ex-tesoureiro do PT Paulo
Ferreira e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Dos 15
denunciados nesta ação, 11 são acusados pela primeira vez na Operação
Lava Jato.
Segundo o MPF, Paulo Ferreira era o beneficiário de recursos vindos das
empreiteiras contratadas pela Petrobras. "Não bastassem esses
elementos, o próprio ex-tesoureiro do PT reconheceu que solicitou ao
advogado operador do esquema que fizesse pagamentos no seu interesse."
Esquema: O dinheiro era repassado por meio de contratos que eram simulados e
superfaturados e saques feitos em contas de empresas de fachada. Os
valores também eram depositados em contas de terceiros e valores eram
transferidos para o exterior.
"A denúncia apresentada aponta operações de lavagem de dinheiro por
intermédio da celebração de 19 contratos ideologicamente falsos que
envolveram a interposição de 12 pessoas jurídicas e duas pessoas físicas
diferentes, totalizando montante superior a R$ 7,5 milhões. Ainda foram
identificados depósitos em favor de uma pessoa jurídica e 13 pessoas
físicas indicadas por Paulo Ferreira totalizando mais de R$ 300 mil. Por
fim, as transações ilícitas no exterior, no valor de US$ 711 mil, foram
realizadas por meio de contas na Suíça abertas em nome das offshores
Cliver Group Ltd., Kindai Financial Ltd. e Mayana Trading Corp", diz o
MPF.

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