Criada em algum momento em meados da década de 1980 como um sistema
global específico de redes de computadores interconectados, a Internet
tem a mesma grande importância para a Humanidade que representaram, no
passado, o domínio do fogo e a invenção da roda. Este ano, a criação de
um brinquedo baseado na realidade aumentada não chega a ranquear em
importância com a roda, o fogo ou a rede de computadores, mas é, sem
dúvida, um divisor de águas.
O jogo Pokémon Go alia tecnologias – como o GPS e a realidade virtual,
por exemplo – para hipnotizar uma geração de “caçadores” em busca de um
boneco que, literalmente, não existe. O encantamento pela engenhoca –
introduzida no Brasil no dia 3 de agosto - tanto diverte quanto
preocupa. Encanta os que adoram novidades mas leva também à reflexão do
que virá por aí.
O que se sabe é que o fabricante já prevê o lançamento futuro do
Pokémon Go Plus – um dispositivo opcional vestível que alertará o
usuário da proximidade do personagem.
Essa fuga da realidade pode estimular a criação de novos aplicativos
baseados, por exemplo, em nossas carências, frustrações e dificuldades –
de toda ordem. A ideia do jogo, criado pelos japoneses Satoru Iwata e
Tsunekazu Ishihara, pode abrir caminho para toda ordem de experiências
sobre os mais variados temas, como os sexuais e os bélicos, por exemplo,
dois segmentos da indústria muito lucrativos em todo o mundo.
Se um jogo de temática infantil já favorece a ocorrência de acidentes e
a perda de tempo – sem querer dramatizar sobre o tema – imagine o que
pode ocorrer com assuntos mais picantes ou agressivos...
Talvez seja preciso pensar numa legislação ágil e adequada para evitar exageros e equívocos.

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