Trabalhadores da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, em São Paulo,
fizeram hoje (16) em frente o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, uma
assembleia para debater sobre o anúncio da suspensão da produção da
fábrica de caminhões e ônibus, feito na semana passada pela empresa.
Segundo a empresa, a medida vale por tempo indeterminado e deve afetar
cerca de 2 mil empregados, dos 9 mil que trabalham na fábrica. Segundo o
sindicato, os funcionários começaram a receber telegramas avisando do
desligamento nesta semana. Após a assembleia, os trabalhadores fizeram
uma passeata até o centro da cidade.
Publicidade
De acordo com Max Pinho, coordenador do Comitê Sindical dos
Trabalhadores da Mercedes-Benz, a empresa não tem mostrado disposição
para negociar. Segundo ele, o que tinha sido avisado por boletim interno
é que a parada seria por tempo determinado. Também foram enviados
comunicados sobre a existência de um excedente de funcionários, que
chega a 2 mil pessoas.
"A empresa não colocou data de retorno e para surpresa de todos, na
segunda-feira começou a encaminhar os telegramas avisando da demissão.
Apresentamos como alternativa para eles a renovação do Programa de
Preservação do Emprego, mas, nas conversas, eles têm descartado essa
hipótese. Nosso temor é perder o emprego agora, nesse momento de
desemprego, por conta da dificuldade de recolocação no mercado", disse.
Pinho afirmou que o sindicato e os trabalhadores pretendem continuar se
mobiliando para tentar evitar a perda dos empregos. "Nosso próximo
passo é luta e resistência. Nós não reconhecemos esses telegramas que a
empresa começou a distribuir. Queremos dar continuidade ao movimento e
procurar a direção da empresa para voltar à mesa de negociação."
Ao mesmo tempo em que os trabalhadores da montadora temem pelos
empregos, o comércio local já começa a sentir os efeitos das demissões e
da crise econômica. Há 50 anos no setor moveleiro, Luiz Ney Meneghetti,
62 anos, estima que suas vendas sejam um sexto do que eram há três
anos. "Até 2013, não se via uma loja fechada nesta rua, o aluguel e os
pontos eram caríssimos. Hoje temos um monte de lojas fechadas e pontos
disponíveis. Eu tinha três lojas e hoje tenho uma. Antes eram 18
funcionários, hoje tenho seis. Com essas novas demissões nossas vendas
devem cair pelo menos 5%".
A proprietária de uma loja de artigos esportivos, Caroline Torel
Cremonezzi, tem 30 anos, e o negócio está na família há 25 anos. Devido
ao alto valor do aluguel e queda nas vendas, a loja será transferida
para um local mais barato. "A queda não foi só neste ano e só estamos
conseguindo vender se colocamos em promoção. A redução não foi só por
causa das demissões, foi pela troca de governo também. Essas novas
demissões nos preocupam bastante. Não só a da Mercedes, mas de outras
empresas pequenas também".
Elton Noce é filho do proprietário de uma loja de relógios e produtos
fotográficos que já tem uma tradição de 36 anos na cidade. "A crise
atual pegou o comércio em geral e nós sentimos também apesar de sermos
tradicionais. O mercado de emprego nos movimentam, porque tiramos fotos,
xerox. Mexe com toda a cadeia do comércio. Quanto maior a quantidade de
contratações melhor para nós. As demissões na região vão impactar para
nós, porque não somos artigo de primeira necessidade e as pessoas
repensam para comprar".

Nenhum comentário:
Postar um comentário