As agências bancárias de Campos amanheceram, nesta segunda-feira (5),
com longas filas em suas portas. No último dia de expediente normal
antes da deflagração da greve dos bancários, clientes correm para
realizar saques e resolver problemas junto à gerência. A paralisação da
categoria começa à 0h de terça-feira e segue por tempo ainda
indeterminado.
Mais de duas horas antes do início do atendimento ao público, dezenas
de pessoas aguardavam na porta de uma agência do Centro. Enquanto outros
clientes se juntavam ao grupo, Eufrásio Lima Resende, aposentado de 69
anos, revisava os documentos de um empréstimo que contraiu para
finalizar uma obra.
— Tenho que resolver um problema com o pagamento do empréstimo. Acho
que estão descontando mais dinheiro do que devia. Aí tenho que falar com
o gerente. Se não fizer agora, não sei quando vou poder fazer — afirma.
Já a dona de casa Adelina Reis de Oliveira, de 42 anos, estava
preocupada em ter condições de honrar seus compromissos financeiros
mensais.
— Temos que aproveitar que a greve ainda não começou para sacar todo o
dinheiro que precisamos para pagar as contas. Não quero que atrasem. É
escola, água, luz, telefone... Agora é enfrentar as filas se quisermos
manter tudo em dia — diz.
E se a demora no atendimento e a aglomeração de pessoas geram reclamações, há quem concorde com a greve.
— É o tipo de cosia que é difícil pra todo mundo. Sempre acaba
prejudicando alguém, atrasando uma conta. Mas eles estão lutando por
seus direitos. Temos que compreender e até apoiar, mesmo que tenhamos
dificuldades, por que, amanhã, pode ser que sejamos nós revindicando
melhores condições — argumenta Julião Bezerra Pereira, estudante de 21
anos.
Cuidados — A Superintendência do Procon de Campos
alertou os consumidores campistas para que tomem cuidados para evitar
prejuízos com a paralisação dos bancários. Segundo a superintendente
Rosangela Tavares, quem tiver débitos com vencimento no período da greve
deverá procurar outra forma de realizar o pagamento.
— Os consumidores que sabem de seus compromissos devem buscar, de todas
as formas, honrá-los, sob pena de pagarem juros e multa quando
retornarem os serviços. Hoje, já é possível o pagamento de algumas
contas em casas lotéricas, correspondentes bancários, caixas
eletrônicos, supermercados e nos próprios estabelecimentos — destaca
Rosangela.
Os conselhos são semelhantes aos dados pelos próprios bancários, que
recomendam aos clientes que façam saques de vulto antes da paralisação e
operações preferencialmente em caixas eletrônicos, correspondentes
bancários — como supermercados, casas lotéricas, agências dos Correios e
estabelecimentos comerciais credenciados — ou através de internet ou
aplicativos para dispositivos móveis, como smartphones e tablets.
Pagamentos também podem ser feitos através de cheque, cartão e Débito
Direto Autorizado (DDA).
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