O preço é a maior barreira no acesso à internet, segundo a 11ª edição da
pesquisa TIC Domicílios divulgada hoje (13). O valor do serviço foi
apontado como impedimento pelos moradores de 60% dos 32,8 milhões de
domicílios que não estão conectados a rede. Entre as residências em que
não há uso da internet, 30 milhões pertencem às classes C,D e E.
O estudo foi realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil
(CGI.br), pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da
Sociedade da Informação (Cetic.br), e pelo Núcleo de Informação e
Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Foram feitas entrevistas pessoais com
abordagem em 23.465 domicílios em todo o território nacional, entre
novembro de 2015 e junho de 2016.
Entre o último estudo, feito em 2014, e amostra atual, houve variação
de apenas 1 ponto percentual no número de domicílios com acesso à rede.
Eram 50% e agora são 51%, totalizando 34,1 milhões de residências. A
barreira do custo é uma das razões, segundo o gerente do Cetic.br,
Alexandre Barbosa, para a qual não houve avanço significativo no uso de
2014 para 2015 (base atual). O que pode significar, de acordo com ele,
que a expansão no modelo atual possa ter chegado ao limite.
"Nas classes A e B nós podemos dizer que temos os mesmos índices de
países europeus", acrescenta Barbosa. Nos domicílios da classe A, o
índice de acesso é de 97% e nos da classe B, 82%, enquanto nos de classe
C o índice fica em 49% e nos de classes D e E, 16%.
Outro problema, segundo o gerente do Cetic, é a indisponibilidade do
serviço em algumas regiões. "Em algumas áreas, como no Norte e áreas
rurais, a segunda barreira é a disponibilidade do acesso. A menos que
você use uma conexão via satélite, em muitas áreas do território
nacional você não tem nenhuma operadora chegando", destaca.
Para contornar esses problemas, Barbosa defende uma regulação mais
forte do mercado, como forma de reduzir os preços, e uma revisão dos
tributos que incidem sobre o serviço. "No Brasil nós carregamos, no que a
gente paga no acesso, uma proporção muito significativa de impostos.",
ressalta.
Celulares - Barbosa lembrou ainda a importância de as políticas públicas levarem em
consideração o uso do telefone móvel como porta de entrada para a rede.
A pesquisa mostra também que o telefone celular é o dispositivo
utilizado para o acesso individual da internet pela maioria dos
usuários: 89%, seguido pelo computador de mesa (40%), computador
portátil ou notebook (39%), tablet (19%), televisão (13%), e videogame
(8%). De acordo com o levantamento, 56% da população brasileira usaram a
internet no telefone celular nos três meses antes da pesquisa. A
proporção era de 47%, em 2014, e de 31% em 2013.
O tipo de conexão mais utilizada nos celulares passou a ser o wifi, com
87% dos usuários, seguido pelo 3G ou 4G (72%). Em 2014, o wifi
correspondia a 74%, e o 3G ou 4G, a 82%.

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