Pedro Parente mira na Ambev para projetar o que será a Petrobras depois
de virada a página da sua maior crise. O modelo de gestão da gigante
multinacional de bebidas está na base das metas e planos de ação que a
petroleira adotará nos próximos cinco anos. As diretrizes do novo plano
de negócios serão discutidas pelo conselho de administração da
petroleira na próxima segunda-feira, segundo comunicado da estatal
divulgado na última segunda-feira, 12.
A base da nova gestão, presente já no plano estratégico, será o
conceito de orçamento base zero, um modelo adotado no País desde a
década de 50. A ideia é desconsiderar o histórico orçamentário e de
receitas, para redefinir a cada ano os projetos e investimentos
prioritários. O objetivo é buscar melhor eficiência de gastos e evitar
orçamentos inflados em projetos desvinculados das prioridades da
empresa.
"Metodologia é uma coisa muito importante. A Petrobras tinha planos
estratégico e anual diferentes. Não era uma maneira boa, só por
coincidência o plano anual perseguia os objetivos estratégicos. Agora,
não tem hipótese de inconsistência", afirmou Pedro Parente, em
entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
A gestão será a marca de Parente nos próximos dois anos em que planeja
estar à frente da Petrobras. Para tanto, o executivo trouxe à diretoria
executiva o ex-presidente da BG no País Nelson Silva, para quem foi
criado o cargo de diretor de Estratégia, Organização e Sistema de
Gestão.
Modelo
Assim como Jorge Paulo Lemann nos anos 90, o presidente da estatal
aposta na cartilha do guru brasileiro da meritocracia, Vicente Falconi,
para desenhar a nova petroleira, saneada em até cinco anos. As bases da
estratégia podem ser resumidas em quatro letras: PDCA - iniciais em
inglês das palavras planejamento, execução, acompanhamento e
padronização.
A fórmula criada por Falconi na década de 80 já foi replicada em 5,9
mil projetos liderados pela sua consultoria em empresas de diferentes
segmentos, da mineração ao varejo. O método consiste em estabelecer
metas mensais para os empregados - e não para a empresa.
Além das duas metas principais da companhia, financeira e de segurança
operacional, cada nível hierárquico terá objetivos específicos. "Vamos
ter acompanhamento do cumprimento de metas com reuniões trimestrais nos
diversos níveis da companhia chegando até a diretoria executiva",
explicou Parente.
Na segunda-feira, após a confirmação da divulgação do plano de negócios
na próxima semana, as ações da petroleira subiram 3,26% (PN) e 3,42%
(ON), influenciada por bons resultados de bolsas estrangeiras e pelos
resultados da produção no mês de agosto. Em relatório, o banco UBS
indicou que o cenário para a estatal é "positivo". "Nossa recomendação
segue a crença de que mais valor pode ser desbloqueado com mudanças
regulatórias no curto e médio prazos e com a tendência positiva dos
preços do petróleo", informa o documento distribuído a clientes.

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