O governo decidiu adiar a reforma trabalhista para o segundo semestre de
2017 e concentrar esforços para aprovar a previdenciária e a proposta
que altera a Constituição e fixa um teto para os gastos públicos que são
temas bastante polêmicos. Mexer na legislação trabalhista neste ano
poderia gerar um desgaste político ainda maior e criar embaraços à
tramitação dos dois projetos considerados relevantes para o ajuste
fiscal. Segundo um interlocutor do Planalto, a decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF) desta quarta-feira, que valida a jornada de 12
horas para bombeiros (com descanso de 36 horas), oferece segurança
jurídica para os demais acordos coletivos que fixam expediente diferente
da fixada da lei.
Além disso, o Executivo vai apoiar o projeto da terceirização, já
aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, que não
faz distinção entre atividade-fim e atividade-meio para a contratação de
trabalhadores terceirizados — um dos principais pleitos dos
empregadores. A avaliação do governo é que a decisão do STF e a
regulamentação da terceirização já atendem em boa parte a demanda do
setor produtivo, no sentido de reduzir a insegurança jurídica.
Já outro pleito antigo do setor, a prevalência do acordado sobre o
legislado e que exige a aprovação de um projeto de lei para alterar o
artigo 618 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) — destacou a
fonte — somente deverá ser enviado ao Congresso, se for o caso, no
segundo semestre de 2017.
— As prioridades do cronograma político são aprovar a reforma da
Previdência e a PEC do teto dos gastos públicos. É isso que está no
horizonte do governo — disse ao GLOBO um auxiliar do presidente Michel
Temer.
A intenção do Executivo é enviar antes das eleições municipais a
proposta que altera as normas do regime de aposentadoria, com
expectativa de que seja aprovada pela Câmara dos Deputados ainda em
dezembro e pelo Senado no primeiro semestre do próximo ano. Já a PEC do
teto já está em tramitação no Legislativo, mas enfrenta resistência,
principalmente no que diz respeito ao limite de despesas com saúde e
educação.
Na semana passada, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, deu
declarações, defendendo o contrato por número de horas trabalhadas e deu
a entender que a jornada diária poderia subir das atuais oito horas
para 12 horas. As afirmações do ministro causaram polêmica e ele teve
que esclarecer, depois de um puxão de orelha do presidente. Reportagem
publicada pelo GLOBO revelou que a equipe do Ministério da Fazenda abriu
licitação para contratar estudos, com objetivo de alterar a lei do FGTS
(8.036/1990), de forma que os recursos fossem utilizados para formar
uma poupança de longo prazo e pagar seguro-desemprego. Nesta
quarta-feira, Temer assegurou que o governo não vai mexer nas regras do
saque do dinheiro do Fundo — permitido nas demissões sem justa causa e
em outras situações, como aposentadoria, compra da casa própria e
doenças graves. Com informações do jornal O Globo.

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