Após ter aprovado o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
241/16, que fixa um teto para os gastos públicos por 20 anos, o
plenário da Câmara dos Deputados concluiu a votação dos destaques aos
textos. A matéria vai ser agora votada em segundo turno no Plenário da
Câmara. A votação começou ontem (10) pela manhã e a votação dos
destaques terminou às 1h45 de hoje (11).
A PEC cria um teto de despesas primárias federais que será reajustado
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), impondo
limites individualizados para o Poder Executuivo, o Judiciário e o
Legislativo.
Em termos práticos a proposta de Novo Regime Fiscal se propõe a
limitar, durante 20 anos, o ritmo de crescimento dos gastos da União à
taxa de inflação. Quem descumprir o limite será penalizado é ficará
impedido de contratar pessoal, fazer concurso público, conceder reajuste
aos servidores, criar cargos ou função que implique aumento de despesa,
alterar a estrutura de carreira que implique aumento de despesa.
A proposta também altera o mecanismo de reajuste do salário-mínimo, que
deixará de ter aumento real (acima da inflação) se o limite de despesas
fixado pelo governo for superado.
A base aliada do governo do presidente Michel Temer rejeitou os
destaques de partidos da oposição que visavam alterar pontos do texto.
Entre os pontos rejeitados, estavam destaques do PT que visavam incluir
no texto um limite ao pagamento de despesas com a dívida pública, que
ficou de fora da proposta, e excluir do teto as despesas com saúde,
assistência social, educação, ciência e tecnologia, segurança pública e
saneamento.
Agora a proposta terá que ser votada em segundo turno após o prazo de
cinco sessões da Casa. Caso a proposta seja aprovada em segundo turno na
Câmara, o texto será encaminhado para o Senado, onde começará a ter
nova tramitação.
Logo após a aprovação, o líder do governo na Casa, André Moura
(PSC-SE), disse que a medida ajudará o país a retomar o crescimento
econômico. "A aprovação dessa PEC é a certeza de que os investimentos
voltarão", disse.
Já a líder da Minoria, Jandira Feghali (PcdoB-RJ), lamentou a aprovação
e disse que hoje é um dia "tristíssimo" para o país. Para a deputada, a
medida vai retirar direitos sociais previstos na Constituição. "A
sociedade agora que está se dando conta do que estamos votando, essa
proposta representa uma mudança de projeto de Estado", disse. "Eu espero
que a resistência a essa proposta cresça e a gente consiga superar mais
para frente".

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