segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Garotinho acusa Paulo Cassiano de tentar intimidá-lo


“O delegado da PF, Paulo Cassiano Júnior, que está constrangendo pessoas, ameaçando testemunhas e fazendo prisões arbitrárias, como mostram os áudios que vou repetir agora, está espalhando notícias pela cidade. Talvez para ameaçar algumas, acovardar ou inibir outras. Uma dessas notícias dá conta de que esta semana ele vai conseguir um motivo para me prender. Já recebi várias ligações nesse sentido”, afirmou o secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho, em seu blog neste domingo (23).
No texto, Garotinho diz ainda que já sabe das supostas ameaças de Paulo Cassiano e que não vai se acovardar, pois não é medroso. “Não fiz nada de errado! Respeito a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal. Mas meu histórico de vida é de enfrentar covardias de pessoas que no fundo, com suas atitudes ilegais, querem manchar suas instituições (...) Vai ser até interessante... Ser acusado e, como afirma o delegado, preso por matar a fome de pessoas humildes, por dar comida a quem precisa”, comenta o ex-governador.
No primeiro áudio divulgado por Garotinho, uma mulher se identifica como Alessandra, encarregada da Unidade Básica de Saúde de Ribeiro do Amaro. Ela narra que policiais estiveram na casa dela e que teria sido obrigada a mentir, afirmando que tinha envolvimento com o suposto esquema do Cheque Cidadão em Campos.
“Eles entraram na minha casa, revistaram tudo, eu não tinha nada dentro de casa, porque eu não tenho nada a esconder. Fui conduzida à delegacia da Polícia Federal, onde eu dei meu depoimento de que não sabia nada de cheque (Cidadão) (...) mas eles falaram comigo que tinham provas de que eu fiz esse cheque. Mas eu falei que não tinha feito nada disso junto com Ozéias (vereador detido por suposto envolvimento no uso do Cheque Cidadão para fins políticos) e depois eles me mandaram ir para uma cela e toda hora falavam que, se nós não colaborássemos, iríamos para a custódia. No final do dia, quase no fim da tarde, chegando no camburão, eles começaram falando que a gente ia para lá, que iríamos ficar cinco, depois dez dias, quando eu fui obrigada a pegar mentira que eu fiz o Cheque Cidadão, sim”.
No segundo áudio, duas mulheres não identificadas também narram a ação da Polícia Federal na casa de uma delas.
“Amiga, olha, anteontem eu tomei o maior susto. Os policiais, 6h da manhã, entraram na minha casa, e eu pelada, mandaram abrir a porta, e falaram que eu tinha que ter duas testemunhas porque eles iriam revistar a minha casa, que eles iriam chamar as pessoas que estavam passando na rua. Eu pedi pelo amor de Deus, que eu iria chamar meus vizinhos para serem minhas testemunhas. E eu falei sem entender o que estava acontecendo sobre o Cheque Cidadão. Eu falei: senhor, eu não sei o que o senhor está falando. Se eu sou analfabeta, não sei ler e escrever, como que eu vou fazer isso, senhor? (...) me levaram para a delegacia, lá me forçaram a falar coisas. Me deixaram na cela, amiga, o dia todinho. Os policiais me forçaram a falar, a falar sobre o vereador. Olha, amiga, que doideira! Saí de lá sem um real no bolso. Vim da delegacia até em casa a pé, sem um centavo no bolso. Falaram que eu estava envolvida com cheque. Mas que cheque, se eu trabalho limpando vaso, meu Deus?”
Ainda segundo postagem de Garotinho neste domingo, o delegado a Polícia Federal teria se juntado ao promotor Leandro Manhães e ao juiz Ralph Manhães:
“O delegado Paulo Cassiano Júnior, aquele que pediu votos em seu telefone celular para o candidato da oposição em Campos dos Goytacazes e cujo pai integra a Junta da Santa Casa de Misericórdia que se negou a atender os pacientes do SUS e acabou batendo de frente com a prefeita Rosinha, juntou-se ao promotor Leandro Manhães, o mesmo que foi punido pelo Ministério Público por atos incompatíveis com suas funções, e também ao juiz Ralph Manhães, contra quem a Prefeitura de Campos já levantou suspeição quatro vezes por decisões absurdas e, nessas casos, suas decisões foram anuladas pelo Tribunal de Justiça do Rio.
O juiz Ralph Manhães preferiu não se manifestar sobre as declarações do secretário de Governo da Prefeitura de Campos. A equipe de reportagem não conseguiu contato com Paulo Cassiano e Leandro Manhães.

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