“O delegado da PF, Paulo Cassiano Júnior, que está constrangendo
pessoas, ameaçando testemunhas e fazendo prisões arbitrárias, como
mostram os áudios que vou repetir agora, está espalhando notícias pela
cidade. Talvez para ameaçar algumas, acovardar ou inibir outras. Uma
dessas notícias dá conta de que esta semana ele vai conseguir um motivo
para me prender. Já recebi várias ligações nesse sentido”, afirmou o
secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho, em seu blog neste
domingo (23).
No texto, Garotinho diz ainda que já sabe das supostas ameaças de Paulo
Cassiano e que não vai se acovardar, pois não é medroso. “Não fiz nada
de errado! Respeito a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.
Mas meu histórico de vida é de enfrentar covardias de pessoas que no
fundo, com suas atitudes ilegais, querem manchar suas instituições (...)
Vai ser até interessante... Ser acusado e, como afirma o delegado,
preso por matar a fome de pessoas humildes, por dar comida a quem
precisa”, comenta o ex-governador.
No primeiro áudio divulgado por Garotinho, uma mulher se identifica
como Alessandra, encarregada da Unidade Básica de Saúde de Ribeiro do
Amaro. Ela narra que policiais estiveram na casa dela e que teria sido
obrigada a mentir, afirmando que tinha envolvimento com o suposto
esquema do Cheque Cidadão em Campos.
“Eles entraram na minha casa, revistaram tudo, eu não tinha nada dentro
de casa, porque eu não tenho nada a esconder. Fui conduzida à delegacia
da Polícia Federal, onde eu dei meu depoimento de que não sabia nada de
cheque (Cidadão) (...) mas eles falaram comigo que tinham provas de que
eu fiz esse cheque. Mas eu falei que não tinha feito nada disso junto
com Ozéias (vereador detido por suposto envolvimento no uso do Cheque
Cidadão para fins políticos) e depois eles me mandaram ir para uma cela e
toda hora falavam que, se nós não colaborássemos, iríamos para a
custódia. No final do dia, quase no fim da tarde, chegando no camburão,
eles começaram falando que a gente ia para lá, que iríamos ficar cinco,
depois dez dias, quando eu fui obrigada a pegar mentira que eu fiz o
Cheque Cidadão, sim”.
No segundo áudio, duas mulheres não identificadas também narram a ação da Polícia Federal na casa de uma delas.
“Amiga, olha, anteontem eu tomei o maior susto. Os policiais, 6h da
manhã, entraram na minha casa, e eu pelada, mandaram abrir a porta, e
falaram que eu tinha que ter duas testemunhas porque eles iriam revistar
a minha casa, que eles iriam chamar as pessoas que estavam passando na
rua. Eu pedi pelo amor de Deus, que eu iria chamar meus vizinhos para
serem minhas testemunhas. E eu falei sem entender o que estava
acontecendo sobre o Cheque Cidadão. Eu falei: senhor, eu não sei o que o
senhor está falando. Se eu sou analfabeta, não sei ler e escrever, como
que eu vou fazer isso, senhor? (...) me levaram para a delegacia, lá me
forçaram a falar coisas. Me deixaram na cela, amiga, o dia todinho. Os
policiais me forçaram a falar, a falar sobre o vereador. Olha, amiga,
que doideira! Saí de lá sem um real no bolso. Vim da delegacia até em
casa a pé, sem um centavo no bolso. Falaram que eu estava envolvida com
cheque. Mas que cheque, se eu trabalho limpando vaso, meu Deus?”
Ainda segundo postagem de Garotinho neste domingo, o delegado a Polícia
Federal teria se juntado ao promotor Leandro Manhães e ao juiz Ralph
Manhães:
“O delegado Paulo Cassiano Júnior, aquele que pediu votos em seu
telefone celular para o candidato da oposição em Campos dos Goytacazes e
cujo pai integra a Junta da Santa Casa de Misericórdia que se negou a
atender os pacientes do SUS e acabou batendo de frente com a prefeita
Rosinha, juntou-se ao promotor Leandro Manhães, o mesmo que foi punido
pelo Ministério Público por atos incompatíveis com suas funções, e
também ao juiz Ralph Manhães, contra quem a Prefeitura de Campos já
levantou suspeição quatro vezes por decisões absurdas e, nessas casos,
suas decisões foram anuladas pelo Tribunal de Justiça do Rio.
O juiz Ralph Manhães preferiu não se manifestar sobre as declarações do
secretário de Governo da Prefeitura de Campos. A equipe de reportagem
não conseguiu contato com Paulo Cassiano e Leandro Manhães.
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