A Polícia Federal deflagrou mais uma operação na manhã desta
quarta-feira (19), ainda sobre o benefício Cheque Cidadão. Os vereadores
Ozéias e Miguelito foram presos hoje. De acordo com a PF, ao todo são
nove mandados de prisão, oito de busca e apreensão e outro de condução
coercitiva.
De acordo com a delegada federal Carla Melo Dolinski, a operação desta
quarta é um desdobramento da “Vale Voto” e está rebatizada como
“operação Chequinho”, pois assim os beneficiados se referiam ao
benefício (Cheque Cidadão) concedido durante o período pré-eleitoral.
“Hoje foram cumpridos oito mandados de prisão, oito de busca e apreensão
e um de condução coercitiva. Dois dos presos são vereadores reeleitos.
Os demais presos são pessoas que agenciavam eleitores para inclusão no
programa Cheque Cidadão. Os vereadores - não apenas os dois detidos-
tinham lideranças nos seus bairros e arrecadavam documentos pessoais
para o posterior cadastro dos eleitores sem o aval das assistentes
sociais da secretaria responsável (Desenvolvimento Humano e Social).
Especificamente os dois vereadores presos abordavam os eleitores
pessoalmente. Em relação ao Ozeias e ao Miguelito há provas de que eles
participaram pessoalmente das fraudes. Miguelito, por exemplo, chegou a
receber cópias de documentos dos eleitores no seu próprio gabinete.
Todas as 18 mil pessoas cadastradas a partir do dia 1º de junho desse
ano não passaram pelos critérios que o programa requer”, afirmou a
delegada.
A delegada ainda ressaltou que entre os eleitores cadastrados para
serem beneficiados com o Cheque Cidadão havia até quem já está morto.
“Este fato prova que o cadastro foi feito sem o menor critério.
Simplesmente com o único objetivo da venda de voto”.
A operação "Vale Voto" aconteceu no dia 23 de setembro quando a então
secretária de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, Ana Alice
Ribeiro, a coordenadora do Cheque Cidadão, Gisele Koch Soares, e outras
oito pessoas que seriam ligadas ao vereador em exercício e candidato à
reeleição para o cargo Ozéias, foram detidas e encaminhadas à sede da
PF, em Campos.
Na época das prisões, o delegado federal Paulo Cassiano disse à
imprensa que “durante a operação apreendeu uma lista com nomes de alguns
beneficiários clandestinos. Essa lista fria traz nomes e CPFs de
eleitores, além de nomes de candidatos aos quais esses votos seriam
vendidos em troca do Cheque Cidadão. A secretária e a coordenadora foram
presas porque são elas que autorizam a inclusão de beneficiários.
Inclusão esta feita sem obedecer aos critérios, como por exemplo, estudo
da real necessidade social”, informou o delegado.
Os vereadores presos serão encaminhados ao presidio Carlos Tinoco, em
Campos, ainda nesta terça. A prisão será de cinco dias podendo ser
prorrogada por mais cinco. Os nomes dos demais presos a PF não
informou. Mas, de acordo com o delegado Paulo Cassiano, com exceção dos
vereadores, os demais suspeitos serão ouvidos e provavelmente liberados
ainda nesta quarta.
Entre os 39 vereadores investigados pela Polícia Federal estão os que
foram eleitos: Cecília Ribeiro Gomes, Jorge Rangel, Kellinho, Linda
Mara, Magal, Miguelito, Ozeias, Roberto Pinto, Thiago Ferrugem, Thiago
Virgílio e Vinícius Madureira.

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