Num quadro de escassez de recursos, municípios produtores de petróleo da
Bacia de Campos alimentam perspectivas de um melhor cenário com a
entrada em ação de empresas petroleiras estrangeiras que irão se
instalar na região, em razão da lei da abertura do setor de petróleo do
país para as empresas internacionais.
Segunda maior concessionária em áreas do petróleo no País, atrás
apenas da Petrobras, a Shell já se prepara para fincar suas bases em
Macaé, com a expectativa de geração entre seis a sete mil empregos
diretos e indiretos num prazo médio de três anos.
O executivo Bem Van Beurden afirmou que a fusão da empresa com outra
petrolífera fará com que as duas empresas reúnam capacidade para
quadruplicar a produção de óleo e gás no país até 2020,transformando a
Bacia de Campos em uma das principais área de exploração e produção da
companhia no mundo.
Segundo Beurden, um dos principais projetos que deverão contribuir
para que a petrolífera atinja seu objetivo de ampliar a produção é a
área de Libra, localizada no pré-sal da Bacia de Campos, onde a empresa é
sócia da Petrobras e outras companhias.
A Shell desistiu de vender sua fatia nos campos maduros de Bijupirá e
Salema, localizados na Bacia de Campos. Segundo a petroleira, o
negócio, além dos 80% dos campos, também incluía a venda de uma
plataforma (FPSO Fluminense) para Petro Rio, estava estimado em US$ 150
bilhões.
O acordo foi assinado em janeiro do ano passado, sendo que o prazo
para a conclusão do contrato vencia em fevereiro. No entanto, a Shell
optou por não renovar o prazo de negociação.
Só a entrada de capital estrangeiro no pré-sal deve gerar R$ 10
bilhões de investimentos anuais e cerca de 400 mil novos empregos no
País, segundo estudos do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) e do
grupo de economia de energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), lembra o engenheiro Luiz Henrique Sanches, executivo de uma
destilaria na região.
PORTO DO AÇU NA MIRA – O economista Ranuldo Vidigal acrescenta que a
grande maioria do apoio a estas operações será no Porto do Açu.
“Campos, por sua infraestrutura, deve atrair a maior parte destas
empresas. A prefeitura deve se estruturar para capturar essas
corporações e seus melhores empregos”, afirmou o economista Ranulfo
Vidigal
Na avaliação de Vidigal, a entrada em operação de outras empresas na
Bacia de Campos não diminui a importância da Petrobras e os cerca de 10
mil empregos que sua presença gera na região.
“A Petrobras continua firme e forte como sempre com expertise elevada
e capacidade tecnológica. Voltou a ser a segunda do país em valor de
mercado, é uma empresa enorme e capaz de superar essa crise e controla
95% da produção nacional. Só não será a única operadora desta imensidão
que é o pré-sal”, observou.
RECUPERAÇÃO – Ranulfo observa que o petróleo passa por um momento de
recuperação de preços no mercado, com a cotação de US$ 50 o barril.
“O barril de petróleo jamais voltará a despencar para 30 dólares. E
com uma rentabilidade maior porque os custos de produção do pré-sal são
bem menores, em razão também da enorme produtividade”, concluiu.
Em fevereiro deste ano, o Congresso aprovou projeto que desobriga a
Petrobras de ser a operadora única e ter a participação mínima de 30% na
exploração da camada pré-sal. Com isso, o mercado de petróleo e gás se
abre também para outras empresas.

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