om um ano em vigor, a Lei Complementar (LC) 150/15, a chamada Lei dos
Domésticos, que regulamentou direitos trabalhistas para os empregos
domésticos, o número de contribuições para a Previdência Social cresceu
40%. Dados apresentados pelo diretor de Regime Geral de Previdência
Social da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da
Fazenda, Emanuel de Araújo Dantas, a proteção social alcança hoje mais
de 1,7 milhões de empregados da categoria. A lei regulamentou direitos
trabalhistas para os empregos domésticos.
Ao participar de debate na Comissão de Legislação Participativa, na
Câmara, em homenagem ao primeiro ano de promulgação da lei, Dantas disse
que, ao lado de autônomos, os trabalhadores domésticos representam a
categoria que tinha menor proteção. No encontro, o diretor mostrou
números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que
apontam que, em 2014, pelo menos 45,7% dos domésticos contribuíam para a
Previdência Social.
"Apesar de hoje 72% da população ocupada estar protegida socialmente,
ainda temos o desafio de quase 30%", afirmou, ao mencionar o total
alcançado pela Previdência em relação a todos os trabalhadores. Dantas
foi um dos últimos convidados a falar na audiência e reconheceu falhas
no sistema no período em que foi implantado. Com a lei, o governo criou o
eSocial, onde o empregador faz todas as contribuições de forma
simplificada.
"O eSocial doméstico, apesar de ter tido problemas de adaptação, é
considerado um grande avanço no recolhimento de tributos e
contribuiçõees. Isso facilitou a vida do empregador, a formalização do
empregado, que agora tem como visualizar todas as contribuições em um só
local", disse.
Uma crítica ao sistema foi feita pelo presidente do Instituto Doméstica
Legal, Mário Avelino, que afirmou que o Ministério da Fazenda
"boicotou" o programa de recuperação fiscal - Redom [Parcelamento do
Empregador Doméstico] - criado para que empregadores pudessem
regularizar as contribuições. Segundo ele, apesar do prazo de 120 dias, a
Receita Federal publicou portaria há cerca de 16 dias do fim do prazo,
informando sobre a oportunidade de regularização.
"O Redom foi boicotado pelo MF que desrespeitou a lei, o empregado.
Temos 2,3 milhões de domésticas na informalidade hoje porque o Executivo
desrespeitou a lei. Quero que reabra o prazo do Redom para que milhões
de empregadores eliminem o fantasma do processo trabalhista", afirmou.
Segundo Avelino, apesar da aprovação de leis "muito boas", o problema
do Congresso Nacional e do Executivo é a falta de divulgação destas
medidas. "Estes 2,5 milhões de trabalhadores poderiam estar assegurados,
pagando uma contribuição de R$ 49", disse.
Em relação às diaristas que trabalham menos de 3 dias por semana, em
uma mesma casa, a lei abre a possibilidade de contribuição reduzida de
5%, como microempreendedor, que assegura direitos como aposentadoria e
seguro desemprego.
O gerente nacional do Passivo do FGTS da Caixa Econômica Federal,
Henrique José Santana, rebateu as críticas. "A gente trabalhou, sim,
intensamente, nos 120 dias. Problemas existem e não são negados, mas a
evolução de ter o sistema hoje que garante a prestação única de
informação gera avanço enorme para os trabalhadores. Sem o eSocial,
dificilmente poderíamos incluir os trabalhadores neste direito
constitucional", disse.
Santana ainda apresentou números que apontam que 1,1 milhão
trabalhadores foram incluídos no sistema do FGTS que, antes da lei,
tinha pouco mais de 200 mil empregados com recolhimento de forma
facultativa.
A especialista de direitos e princípios fundamentais do trabalho, da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Thais Dumet
Faria, reconheceu o avanço com a lei, mas disse que foi um "um avanço
bastante tardio". Segundo Thais, a Lei das Domésticas vem provocando
mudanças de comportamento e cultura no País, mas seria fundamental uma
sinalização do Brasil em relação à convenção 189 da OIT [Organização
Internacional do Trabalho], que estabelece diretrizes para condições
decentes de trabalho.
"A convenção 189 dá garantia política, social, muda imagem de um país
ao dizer que reconhece que são categoria do mesmo grau e importância que
outra. Essa é a mensagem central. A convenção diz: a gente não vai
voltar atrás. Por isto, é fundamental que entre logo em pauta", afirmou.

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