A maioria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, em sessão
realizada nesta quinta-feira (24), pelo provimento parcial do habeas
corpus número 0602487-26, impetrado pela defesa de Anthony Garotinho.
Foi fixada uma fiança de 100 salários mínimos. Além disso, o
ex-governador e ex-secretário de Governo de Rosinha ficou impedido de
retornar a Campos, ter contato testemunhas arroladas no processo, mudar
de endereço ou se ausentar de casa por mais três dias sem aviso prévio. O
descumprimento destas medidas cautelares poderá levá-lo à prisão.
O vice-procurador-geral eleitoral Nicolao Dino, que representou o
Ministério Público (MP), ratificou a decisão do Juiz Glaucenir Silva de
Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral de Campos, e argumentou pela manutenção
da prisão penitenciária, sustentando parecer do órgão, que pediu nova
transferência de Garotinho para Bangu. Por fim, recomendou o uso de
tornozeleira eletrônica caso o colegiado concedesse liberdade ao
ex-governador.
Votaram junto da relatora, ministra Luciana Lóssio, o ministro
substituto Admar Gonzaga Neto, o vice-presidente do TSE, ministror Luiz
Fux, que sugeriu a proibição de Garotinho vir a Campos, a ministra Rosa
Weber, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho e o presidente, ministro
Gilmar Mendes.
Único a discordar da relatora, o ministro Herman Benjamin afirmou em
seu voto que "o ex-governador Garotinho é, antes de tudo um cidadão
brasileiro. E é como cidadão brasileiro que o trato, pelos direitos que
ele tem, iguaizinhos, nem mais e nem menos do que Dona Mariinha da
favela de Americanópolis".
A ministra Luciana Lóssio aproveitou para se defender diante dos
vazamentos de ligações que apontariam relação dela com Garotinho.
"Todos os advogados que militam neste Tribunal Superior Eleitoral sabem
da minha agenda. Basta chegar no meu gabinete que eu recebo. Eu estava
no Tribunal Superior Eleitoral. As minhas portas estão sempre abertas,
sempre abertas. Posso arrolar todos os advogados que militam neste
Tribunal superior Eleitoral para dar este testemunho. Portanto, esta
venda de ilusão de busca de um contato é absolutamente inadmissível.
Repudio com veemência a matéria veiculada, na qual estampam um diálogo,
uma foto minha, como se deste diálogo tivesse havido uma conversa pouco
republicana entre a minha pessoa e o ora paciente. Recebi o ora
paciente. Recebi no meu gabinete em uma quinta-feira após uma sessão.
Por que, quando acabou a sessão, que eu subi, o habeas corpus havia sido
distribuído. E assim eu faço com outros tantos advogados. Quando eu
acabar a sessão se eu chegar no gabinete, se tiver algum advogado à
minha espera, eu o receberei. Saio daqui uma, duas horas da tarde, não
tem problema. Mas recebo, por que penso que, como servidora pública que
hoje aqui estou, o meu público é o jurisdicionado. É um dever", afirmou a
ministra.

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