Acredite, a obesidade não traz só problemas de pressão e coração, ela
também pode aumentar as chances de aparecimento de mau hálito. Essa
informação ganhou força depois de um estudo feito pela Universidade de
Tel Aviv, em Israel, que identificou uma ligação entre pessoas obesas e a
halitose. E parece que os principais culpados são os hábitos diários e
as doenças que vêm junto com o sobrepeso.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram durante um
período cerca de 88 pessoas de diferentes idades, pesos e alturas que
passaram por testes de odor da respiração e questionários sobres suas
condições de saúde e seus hábitos diários. O resultado mostrou que
quanto mais acima do peso, mais propensa ao mau hálito a pessoa está.
Segundo Ana Elisa da Silva, cirurgiã-dentista e membro da Associação
Brasileira de Halitose (ABHA), essa relação pode ser causada por
diversos fatores como o aparecimento de doenças sistêmicas, doenças
bucais, hábitos diários, dieta desequilibrada, uso de medicamentos,
respiração bucal e ronco e até mesmo alterações no metabolismo antes e
após cirurgia bariátrica. “O mau hálito em si não é considerado uma
doença, mas um sinal de desequilíbrio do organismo”, diz a especialista.
Desequilíbrio do corpo
- Todo mundo sabe que às vezes a obesidade traz consigo muitas outras
doenças como diabetes e hipertensão. O que muitos não sabem é que podem
ser elas as responsáveis pelo aparecimento do cheiro desagradável na
boca.
“Algumas doenças sistêmicas como a diabetes contribuem de maneira
significativa para produção de compostos metabólicos e gases causadores
de halitose. Isso ocorre devido a um acumulo de substâncias a base de
enxofre no organismo que são transportadas pelo sangue e são eliminadas
via pulmonar, tanto por via bucal como nasal. Esses odores são descritos
como cheiro de podre, cheiro de urina ou cheiro de peixe”, diz Ana
Elisa.
Remédios “mau cheirosos”
- A partir daí uma coisa puxa a outra. A obesidade traz algumas doenças
que por sua vez precisam ser controladas/tratadas por remédios. Alguns
fármacos também podem colaborar com o aparecimento da halitose.
“Muitas vezes, por ser um fármaco aromático, o cheiro da medicação é
eliminado pela saliva e em outros casos a medicação traz como efeito
colateral a diminuição da produção de saliva, diminuindo a autolimpeza
bucal. Nesse contexto, ocorre um aumento das células epiteliais
descamadas da mucosa oral e restos de alimentos sobre a língua, formando
o biofilme lingual e favorecendo o aparecimento do mau hálito”, diz a
dentista.
Hábitos perigosos e doenças bucais
- Mas não são só doenças e remédios que contribuem com o mau hálito na
vida de quem tem sobrepeso. Hábitos diários como comer depressa e sem
mastigar direito os alimentos e manter uma dieta rica em carboidrato,
proteína e gordura também são fatores a serem levados em conta quando o
assunto é mau hálito e obesidade.
Em relação às doenças bucais, a obesidade esta diretamente ligada ao
aparecimento de periodontite (inflamação nos tecidos de sustentação dos
dentes), cárie dental, alterações salivares, xerostomia (sensação de
boca seca) e erosão dental em casos de refluxo gastresofágico.
“O sangramento gengival é considerado fonte de nutrientes para
bactérias, que liberam gases mau cheirosos como resultado final desse
metabolismo. Assim, além da maior predisposição à halitose de origem
sistêmica, as pessoas obesas também estão mais propensas à halitose
bucal, principalmente se tivermos uma flora bacteriana alterada em
quantidade e qualidade”, diz Ana Elisa.
Cuidados redobrados
- Por tudo isso que foi citado até agora, pessoas que estão acima do peso
precisam dar uma atenção especial à saúde bucal. Para isso, é preciso
reduzir e manter sob controle a microbiota bucal, buscando diminuir o
volume da placa bacteriana.
“Quando temos ausência de inflamação nos tecidos gengivais o ambiente
da cavidade bucal melhora como um todo e fica compatível com saúde. Por
isso, esses pacientes devem ser sempre motivados na busca dessa
qualidade gengival que será obtida através de escovação e do uso de fio
dental e/ou escovas interdentais”, diz a especialista.

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