Advogado, blogueiro, radialista, comunicador e polêmico, acima de
tudo. Com tudo em cima, em se tratando de ideias, Cláudio Andrade chegou
longe. Aos 44 anos se elegeu vereador em Campos com uma campanha
alicerçada no campo das ideias e dos conceitos, usando como ferramenta
as redes sociais. Não pescou votos, mas muitos caíram voluntariamente na
tal rede social. Tem argumentos firmes para cada situação. Sabe mediar a
correta distância entre pessoas e coisas.
Nesta entrevista ele conclui que a espuma da esperança vai minguar
com o rápido passar do tempo, e que muito em breve todos serão cobrados
pela população, como os outros políticos foram cobrados. Não se define
como de direita ou de esquerda e acha que a política tem que ser o
centro de tudo, quando o cidadão é o sujeito direto da ação.
Você foi bem eleito em sua primeira eleição para vereador aos 44 anos. Havia uma meta neste sentido. Não veio antes por quê?
Não vim porque sempre achei que uma candidatura precisa reunir uma
série de fatores onde o que menos pesa é o desejo de se eleger. Então
esperei, e diante da crise ética e moral na política brasileira e minha
forma combativa de denunciar e investigar os desmandos da política
municipal me fizeram ver que a hora era esse. Foram dois da série de
fatores que me referi antes.
Primeiro foi o Blog e depois vieram a rádio e o programa de
televisão, além das redes sociais. Isso deu visibilidade mais a você ou
as suas ideias? Foi um casamento feliz e comunhão da imagem e
das ideias. Tinha certeza que as redes sociais teriam peso substancial
nas eleições. Tenho certeza que foi o candidato a vereador que mais usei
essa ferramenta.
Você é advogado de formação e ofício, mas parece que tem
jornalismo correndo nas veias do braço esquerdo e política nas veias do
direito. Afinal, você se considera um homem de ideias de direita ou de
esquerda? Na verdade eu aperfeiçoei todas as oportunidades e
funções que me foram dadas e isso me preparou para o cargo que agora
ocupo. Com relação a ser de direita ou de esquerda, acho que esse
conceito de lados não mais existe, o que existe hoje é um centro de
propósito de moral, ética e com foco nos problemas sociais.
Você faz parte de uma nova safra de políticos que promete. Vai cumprir?
Me considero de uma nova safra; Com relação a cumprir fico a vontade em
responder, exatamente porque não fiz promessas e sim abri os olhos da
população pela busca da independência, logo, quando menos depender do
poder público melhor.
Te preocupa o desafio neste primeiro momento que Rafael Diniz irá enfrentar? Está disposto a ajudá-lo?
Tanto Rafael quanto nós vereadores não podemos esquecer que a espuma da
esperança vai acabar, e logo seremos cobrados como quaisquer outros
políticos. Os problemas de gestão são macros e estarei à disposição
dele, sempre que solicitado, desde de que nossas ideias convirjam e que a
população seja o sujeito da oração.
Você então tem uma postura independente na Câmara?
No dia dois, fui escolhido pelo PSDC para ser o líder do partido na
Câmara pelo presidente municipal da sigla, Edson Faes. Não sou
independente, pois a política se faz em coletividade, contudo, caso
precise me posicionar terei a postura individual necessária quando for
necessário.
Você é polêmico, inclusive tem um programa de grande sucesso
na TV 3ª VIA. Cláudio Andrade gosta da polêmica ou do contraditório?
Gosto do contraditório polêmico, onde prefiro arrancar do entrevistado o
que ele não está preparado para responder. Por isso, nenhum deles
recebe pauta prévia.
Você polemizou muito com o grupo político do Garotinho. Achava esse grupo contraditório?
Ouso discordar da sua pergunta. Não polemizei com as pessoas do grupo e
sim como a forma como eles administraram os recursos municipais nos
últimos oito anos. Sou um político que fala de coisas e não de pessoas.
Como andam as pessoas em Campos? Você acha que elas vinham sendo tratadas como coisas?
Sim. O conceito de coisa, atrelado ao de pessoa, gerou em Campos,
políticas assistencialistas com fins individuais, traduzida em projetos
políticos específicos, focados no crescimento privado de seus agentes e
não na libertação social do povo.
Como vereador você tem a ideia do gabinete itinerante. Como será isso?
É um projeto que visa levar a estrutura física do gabinete às
localidades. Durante a campanha percebi, por exemplo, que uma idosa
residente em Mata da Cruz, a 70 quilômetros do Centro, jamais teria
acesso ao gabinete de um vereador, mas muitos foram até lá pedir seu
voto. Logo, é obrigação do parlamentar retornar e ouvir os seus anseios.
E o mandato participativo online? Balbi, grande
parcela dos meus votos veio do debate online, onde pude apresentar à
população, de maneira instantânea, as questões judiciais,
administrativas e sociais do município. Nada mais justo do que manter
essa relação através lives semanais, apresentando as ações do meu
mandato.
No curso da campanha ocorreu algum fato marcante?
Sim. Muitas pessoas achavam que eu era um candidato da chamada pedra,
com um discurso elitista. Na verdade fiz o caminho inverso, indo às
comunidades, ouvindo as pessoas e as ajudando na medida do possível. A
carência é tão grande que uma delas me disse: “Nunca um candidato
almoçou comigo. Estar junto da população é sinal de respeito, pois a
comida pra gente é algo sagrado”.
Então você é um político mais interessado em se emocionar com o povo do que tentar emocionar o povo? Primeiro, eu preciso me emocionar e através deste sentimento sincero criar alternativas concretas para causar emoção.

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