Maior produtor do mundo, o Brasil cogita, pela primeira vez em quase 300
anos de história de cultivo, liberar a importação de café, sob protesto
dos produtores nacionais. Abastecidas com grãos do tipo conilon, as
sacas a caminho são principalmente do Vietnã, líder em produção dessa
variedade, e podem chegar ao País nos próximos 40 dias.
No momento, a importação está suspensa pelo governo Michel Temer. O
sinal verde, porém, já tinha sido dado pelo Comitê Executivo de Gestão
da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), que reduziu de 10% para 2% o
imposto de importação para o café conilon, também chamado de robusta.
"O nosso entendimento é que a aprovação foi apenas adiada. O ministro
combinou com a gente que o assunto será retomado após o Carnaval", disse
por telefone à DW Brasil Nathan Herszkowicz, diretor executivo da
Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic).
O assunto polêmico tem origem nos cafezais brasileiros, que renderam
estatísticas ambíguas em 2016. No mesmo ano em que o Brasil bateu
recorde de exportações de café solúvel, produzido a partir do grão
conilon, a safra caiu pela metade, de 10 para 5 milhões de sacas.
"Está faltando café conilon para completar a demanda total de café no
Brasil", justifica Herszkowicz. A importação, segundo ele, não será
permanente. "É uma compra pequena, uma cota criada de 1 milhão de sacas
de café pra ser importada até maio deste ano", disse.
Os produtores nacionais de café conilon discordam. "É uma importação
desnecessária, inoportuna. Temos café para atender a indústria. Tudo é
uma jogada pra baixar o preço da saca", afirma Antônio Joaquim de Souza
Neto, presidente da Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel
(Cooabriel), que reúne produtores da principal região produtora da
variedade, no norte do Espírito Santo.


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