O governo cortará R$ 58,2 bilhões do Orçamento para cumprir a meta fiscal,
anunciou há pouco o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e
Gestão. De acordo com a pasta, o contingenciamento (bloqueio) é
necessário para compensar a revisão para baixo do crescimento econômico
em 2017.
O corte servirá para cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$
139 bilhões estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para
este ano. O governo, até agora, não anunciou aumento de tributos.
Os números foram fechados hoje numa reunião entre o ministro da
Fazenda, Henrique Meirelles, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira,
e o presidente Michel Temer. Ontem (22), Meirelles tinha informado que o
governo estava fechando as estimativas de quanto arrecadará com o
resultado dos leilões de petróleo e gás e com o programa de
regularização de ativos no exterior, também conhecido como repatriação,
para definir o volume do contingenciamento e do aumento de tributos.
Originalmente, o Orçamento-Geral da União estimava que o Produto
Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) cresceria 1,6%
em 2017. Por causa do desempenho da economia abaixo do previsto, no
entanto, o governo reduziu a projeção para 0,5%.
Em nota, o Planejamento explicou que a revisão para baixo do PIB e a
reavaliação das projeções de arrecadação com certas concessões e vendas
de ativos foram responsáveis por reduzir a estimativa de receitas em R$
54,8 bilhões. Além disso, o governo teve de rever para cima, em R$ 3,4
bilhões, as projeções de gastos obrigatórios por causa de reestimativas
de gastos com os benefícios da Lei Orgânica de Assistência Social,
créditos extraordinários, fundos de desenvolvimento, subsídios,
transferências e multas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A soma dos dois valores - redução de receitas e aumento de despesas
obrigatórias - fez o governo cortar R$ 58,2 bilhões dos gastos
discricionários (não obrigatórios). A distribuição do corte por
ministérios será anunciada em uma semana.
A expansão da economia menor que o previsto afeta a arrecadação
federal, reduzindo a receita do governo em relação ao valor
originalmente estimado no Orçamento. A equipe econômica aumentou
tributos e contingenciou verbas para compensar o desempenho da
arrecadação e permitir o cumprimento da meta de déficit primário -
resultado negativo nas contas do governo desconsiderando o pagamento dos
juros da dívida pública - estipulada na LDO.

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