A decisão do presidente Michel Temer de retirar os servidores estaduais e
municipais do texto da Reforma da Previdência não vai mudar em nada a
pressão do funcionalismo sobre o Congresso Nacional e o governo. A
medida foi tomada para acelerar e facilitar o trâmite da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) 287 no Parlamento, mas a resistência do
setor público continuará.
As entidades de servidores de todas as esferas (União, estados e
municípios) do país se mantêm contra o proposta e acreditam que, se for
aprovada, não afetará só o funcionalismo federal. Para sindicatos,
associações e movimentos, se a PEC vingar, vai gerar efeito-cascata
sobre todos, já que os entes criam suas legislações baseando-se na “lei
maior”, que é a Constituição Federal.
Um dos diretores do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do
Estado do RJ (Sind-Justiça) e representante do Movimento Unificado dos
Servidores Públicos Estaduais (Muspe), Alzimar Andrade garante que não
haverá trégua. “Nossa posição não muda com essa decisão”, disse ele, que
acrescentou: “Isso é estratégia para conseguir aprovação. E se isso
ocorrer, automaticamente municípios e estados vão copiar”. Ele diz que
as diversas categorias do funcionalismo estadual vão continuar atuando
pela rejeição da proposta.
“Estamos trabalhando para convencer deputados federais do Rio. E se o
texto for aprovado, o Rio vai propor as mesmas mudanças e vai ter briga
dos servidores (na Alerj)”, afirmou ele, que não poupou críticas à PEC.
“É danosa para todo trabalhador. A União propôs alegando rombo
previdenciário, sendo que parte dele foi provocado pelo próprio governo,
já que a maioria dos devedores da previdência são grandes empresas, e o
governo não cobra delas”, opinou Alzimar.
Diretor da Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal
(Condsef), Josemilton Costa também fez duras críticas à PEC. “Não
estamos lutando apenas pelo funcionalismo, mas pelos trabalhadores do
setor privado, ou seja, por todos”, declarou. A Condsef está convocando
entidades para participar de ato contra a reforma, terça-feira, em
Brasília.
Vale lembrar que técnicos do governo e do Congresso ainda estudam
como podem retirar servidores da proposta. Eles dizem que a medida
esbarra na Constituição e que apenas policiais civis e professores devem
ficar de fora. Assim, estados e municípios teriam que legislar apenas
para essas categorias.
Especialista cobra regras - Para técnicos do governo, a orientação de Temer pela retirada de
servidores estaduais e municipais da PEC 287 tem várias implicações.
Segundo o especialista em Previdência e consultor da Câmara Leonardo
Rolim, o ideal para evitar que cada estado e município adotem alíquotas
de previdência “diferenciadas e sem controle”, seria melhor utilizar
sistema como o da Previc (previdência complementar). Nele, os entes
seriam obrigados a comprovar equilíbrio financeiro e atuarial, o que,
segundo Rolim, evitaria que aparecessem “buracos” nas contas. “Não ter
uma forma de regular estados e municípios e deixar ‘solto’ seria
irresponsabilidade fiscal”, alerta.

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