Após ser derrotado na terça-feira (18), a base governista venceu nesta
quarta-feira (19) a oposição e conseguiu 287 votos favoráveis à
aprovação do regime de urgência para a votação do Projeto de Lei
6.787/16, que trata da reforma trabalhista. Os contrários à urgência do
projeto somaram 144 votos. Com a aprovação do regime de urgência, não
será possível pedir vista ou apresentar emendas à matéria na comissão
especial que analisa o substitutivo do deputado Rogério Marinho
(PSDB-RN).
O relatório apresentado na comissão mantém a prevalência dos acordos
coletivos em relação à lei, conforme previsto no texto original, e
acrescenta outras modificações, como regras para o teletrabalho e o
trabalho intermitente. O texto poderá ser votado diretamente no plenário
já na próxima semana ou no início de maio.
A sessão destinada à votação foi marcada por forte embate entre
oposição e governo. Deputados da oposição criticaram a inclusão do
requerimento de urgência na ordem do dia, classificando-a de manobra
regimental, pois a matéria já havia sido rejeitada na noite de
terça-feira.
A confusão teve início após o presidente da Casa, Rodrigo Maia
(DEM-RJ), ter encerrado a sessão que votava os destaques ao projeto de
recuperação fiscal dos Estados superendividados, cujo texto base havia
sido aprovado na noite anterior, e chamado nova sessão exclusivamente
para votar o requerimento.
O líder da minoria, José Guimarães (PT-CE), acusou o governo de querer
votar a matéria a "toque de caixa". "Não se mexe tanto com a vida dos
trabalhadores e se faz as coisas desse jeito. Não é aconselhável votar
isso hoje, porque esse clima de tensão que se está estabelecendo aqui
dentro impede que o Parlamento consiga dialogar", disse.
O líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), justificou a nova
tentativa de votação do requerimento com o argumento da necessidade de
deliberar logo a matéria. "Quem quiser que ganhe o debate no argumento.
Nós hoje estamos cumprindo de forma democrática aquilo que prevê o
regimento dessa casa, respeitando a todos e votando uma matéria que é
importante sim para o país", disse.
Maia continuou com o processo de votação do requerimento que abre a
possibilidade de que o projeto seja votado na próxima semana. Houve bate
boca e deputados da oposição chegaram a subir na mesa diretora para
protestar.
"O que está acontecendo aqui é muito sério. Essa matéria já foi votada
no dia de ontem e não foi aprovada. O regimento é claro, essa matéria
não poderia voltar a estar na pauta no dia de hoje. Não podemos voltar
ao tempo do Eduardo Cunha", disse o líder do Psol, Glauber Braga (RJ),
referindo-se ao ex-presidente da Casa, que ficou marcado por repetir
votações de cujo resultado discordava.
Proposta de acordo - A oposição defendia a retirada do requerimento da pauta e propunha um
acordo para se votar o projeto que altera vários artigos da legislação
trabalhista no dia 8 de maio, após debate e votação na comissão especial
que analisa a matéria.
Maia disse que não iria interromper a votação e que, após reunião, a
oposição não quis fechar um acordo para que o projeto fosse votado em
uma data intermediária, até o dia 3 de maio. "O PT não quis votar essa
matéria no dia 3 de maio, então não teve acordo por esse motivo. Se a
base tiver voto, a base ganha. Se não tiver, perde", disse Maia.
O líder do PT, Carlos Zaratini (SP), confirmou o encontro, mas
questionou a data com o argumento de que era necessário discutir melhor a
matéria na comissão. "Era uma solução de acordo adiarmos essa votação
para a semana do dia 8 de maio, já que na semana que vem poderia ser
discutido na comissão especial, afunilando o debate para fazermos a
votação no dia 8. Essa foi a nossa proposta", rebateu.
Recuperação fiscal dos Estados - Antes da votação do requerimento, após mais de cinco horas de debates,
os deputados haviam deliberado dois dos 16 destaques ao projeto de
recuperação fiscal dos Estados superendividados. Foram rejeitados dois
destaques, um do PCdoB e outro do PSOL, que pretendiam retirar as
contrapartidas dos estados para aderir ao plano de recuperação.
Com a decisão de votar o requerimento, Maia adiou para a próxima semana a conclusão da votação dos destaques ao projeto.

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