Roubos e furtos de celulares são um problema diário no Estado. E algo que comprova essa violência são dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e estimativas de delegados, que apontam que 153 celulares são roubados por dia no Espírito Santo.
A estatística da Anatel vem do Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cemi), que bloqueia telefones roubados, extraviados ou perdidos no País. Neste ano, de janeiro a abril, 23.058 já foram bloqueados no Estado.
Ao registrarem o roubo ou furto de um celular, as vítimas são orientadas a bloquear as linhas e os aparelhos por meio do Imei, número de identificação que serve como o “chassi” do telefone, ou pelos dados do usuário, para inutilizar o celular. Mas bandidos seguem atrás de técnicos para o desbloqueio ilegal. Esses chegam a receber até R$ 3 mil por mês com o esquema.
A reportagem ouviu quatro técnicos em telefonia, que atuam com consertos de aparelhos, sendo eles da Serra, de Vitória e Vila Velha.
Na condição de não se identificarem e nem mostrarem o rosto, eles disseram que a procura pelo desbloqueio cresce junto aos números de roubos ou furtos. Um dos profissionais, de 29 anos, contou que até na porta de casa dele já o procuraram para fazer a adulteração.
“A procura é enorme. Mas nem todos se dispõem a correr o risco, como é o meu caso. Já fiz desbloqueios, mas não com essa finalidade. Por outro lado, tem gente que ganha R$ 3 mil desbloqueando celular roubado”, disse o técnico.
Em maio de 2016, Foi denunciada a “Máfia do Celular”, na qual aparelhos poderiam ser desbloqueados a partir de R$ 80.
Segundo o técnico, de lá para cá, o que mudou foi só a forma de como os pedidos para a adulteração do Imei têm chegado. “Apesar de uma pessoa ter me procurado em casa, os pedidos chegam mais pelas redes sociais. Na maioria das vezes, quem furta não é quem leva o aparelho. Os ladrões ficam no anonimato”, explicou.
O profissional destacou que, antes de receber um aparelho, ele faz uma série de perguntas aos clientes sobre documentações, acessórios e endereço residencial, a fim de evitar o recebimento do eletrônico roubado.
Ele explicou que existem três formas de desbloqueio que os bandidos vêm utilizando. Segundo o técnico, um deles é por programas desenvolvidos por hackers.
“Usando uma ferramenta chamada OTG, os técnicos conectam um pen drive com programas que limpam todos os dados de aplicativos e contas que possam ajudar na localização do celular. E quando o Imei está bloqueado, é utilizado um box”, descreveu o técnico.
Segundo o entrevistado, o aparelho portátil acessa às funcionalidades da placa do aparelho, onde está registrado o Imei. “As informações são apagadas, novos códigos são criados e o aparelho volta a funcionar. No caso dos iPhones é mais comum a troca de placas usadas por novas, que são encontradas nos mercados de telefonia”, lembrou.

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