O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, proibiu a defesa do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de gravar o depoimento dele,
marcado para a tarde de quinta-feira (10), no processo da Lava Jato. O
ex-presidente é acusado de receber vantagens indevidas da construtora
OAS.
Os advogados de Lula haviam comunicado que pretendiam gravar o
depoimento, bem como solicitaram que a gravação oficial do juízo
abrangesse todo a sala de audiências, e não ficasse focada somente na
figura do depoente, o que também foi negado por Moro.
Além de argumentar a não previsão legal para tanto, o magistrado
afirmou que a defesa de Lula pretende transformar o ato em um evento
político-partidário, tendo, por exemplo, convocado militantes para
manifestações de apoio ao ex-presidente na mesma data, horário e local
da oitiva.
"Assim, há um risco de que o acusado e sua defesa pretendam igualmente
gravar a audiência, áudio e vídeo, não com finalidade privadas ou com
propósitos compatíveis com os admitidos pelo processo, por exemplo
permitir o registro fidedigno do ocorrido para finalidades processuais,
mas sim com propósitos político-partidários, absolutamente estranhos à
finalidade do processo", afirmou Moro no despacho em que proíbe a
gravação.
"A gravação pela parte da audiência com propósitos político partidários
não pode ser permitida pois se trata de finalidade proibida para o
processo penal", acrescentou Moro, que ressaltou ter havido oposição
ainda do Ministério Público Federal (MPF) e também da defesa de Léo
Pinheiro, ex-presidente da OAS e réu no mesmo processo.
Defesa - O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, disse que irá
recorrer da decisão, alegando que a gravação da audiência pelas partes
no processo é franqueada pelo Código do Processo Civil (CPC), embora não
no Código Processo Penal (CPP).
Em nota, Zanin afirmou que a seccional do Paraná da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB-PR) apoia a gravação do depoimento pela defesa, por
entender ser uma prerrogativa do advogado.
Em uma segunda nota, o advogado negou enfaticamente que a defesa de
Lula tenha convocado manifestações para a mesma data e local do
depoimento e classificou a afirmação de Moro de "grave acusação".
"O juiz comete erro gravíssimo ao declarar que o cliente e sua defesa
chamaram manifestantes. Talvez ele tenha se acostumado a fazer acusações
sem provas, mas essa é mais uma violação dos direitos e prerrogativas
dos defensores constituídos nos autos e tomaremos todas medidas
jurídicas cabíveis", diz o texto assinado por Zanin.

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