O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira que a
profunda crise política vivida pelo Brasil após sucessivos escândalos de
corrupção matou os partidos políticos brasileiros, incluindo o PSDB, do
qual é presidente de honra.
Indagado em palestra para empresários na Associação Comercial do Rio de
Janeiro se o PSDB, um dos partidos que teve lideranças importantes
atingidas por denúncias de corrupção e de irregularidades em arrecadação
de campanha, como o caixa 2, morreu, o ex-presidente afirmou que todos
as legendas foram mortas pela crise.
"Se o PSDB acabou? (Sim,) na medida que os outros partidos acabaram
também. A crise é geral e não tem diferença, mas eles não vão
desaparecer", disse.
"O PSDB tem possibilidades e vai depender do seu desempenho... Com tudo
o que aconteceu no Brasil, que foi grave, e alcançou a todos, inclusive
o PSDB, há áreas que dá para recuperar", completou.
O tucano, que governou o País de 1995 a 2002, disse que os partidos
terão de se reinventar para as eleições do ano que vem. Defendeu ainda
que a adoção de um mecanismo de financiamento público de campanha é
inviável em meio à crise econômica e que a reforma política feita de
forma paulatina, afetando inicialmente, e de forma experimental, na
eleição para vereadores.
"No Brasil o representante não representa o povo, mas os interesses de
clubes, igreja, sindicato. As instituições intermediárias é que conduzem
o voto", disse FHC, lembrando que os tucanos defendem a adoção do voto
distrital misto e criticando o modelo de distritão, que está sendo
discutido na Câmara dos Deputados.
"Seria razoável diminuir o distrito... por que não começar com
vereadores e ir pouco a pouco avançando? Aí é mais natural... por que
não uma visão experimetalista em vez de reorganizar tudo de uma vez?",
sugeriu.
O ex-presidente declarou que a atual reforma "está mal parada" porque
ainda há pouca clareza e muita confusão. "O nosso sistema está muito
deformado, mas o distritão é uma deformação maior ainda", avaliou.
Sobre o financiamento de campanha das próximas eleições, FHC destacou
que a sociedade não apoiará um fundo público para campanha eleitorais,
seja qual for o tamanho, e sugeriu que o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) crie contas correntes em nome dos partidos para que os eleitores
depositem suas doações à legenda.
Candidato tucano - FHC não quis adiantar qual potencial candidato do PSDB à Presidência no
ano que vem conta com seu apoio, embora tenha apontado dois nomes para
representar o partido na disputa: o governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria.
O ex-presidente limitou-se a dizer que o candidato do PSDB terá de saber se comunicar com o País.
"O candidato tem que falar com o Brasil... Não só com São Paulo... Quem falar com o Brasil vai ter meu apoio", afirmou.
Questionado por jornalistas sobre quem estaria se comunicando melhor com o Brasil, se Alckmin ou Doria, FHC desconversou.
"Acho que sou eu", disse aos risos.
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