A operação integrada dos governos federal e estadual de combate ao crime
não diminuiu a violência no estado do Rio. Um mês após o início das
ações conjuntas — que começaram em 28 de julho —, três dos quatro
indicadores criminais analisados, tiveram aumento: homicídios,
roubos de cargas e de veículos. Somente roubos a pedestres caíram. O
levantamento comparou crimes registrados em delegacias de todo o estado
nos 32 dias de operação com o mesmo período de 2016 — o critério é
idêntico ao usado pela Secretaria de Segurança na análise dos índices de
criminalidade.
Roubos de carros explodiram no período: enquanto, desde o
início da operação, foram registrados 3.916 casos, no ano passado
aconteceram 2.568 — aumento de 52%. Somente na capital, o crescimento
foi maior, de 57% — 1.112 casos em 2016 para 1.756 este ano.
O
roubo de cargas — citado como uma das prioridades pelas autoridades no
início da integração — também aumentou: foram 610 casos registrados
durante a operação contra 597 no ano passado.
Uma das
três ações que contaram com participação de agentes federais e estaduais
ao longo do último mês teve justamente quadrilhas de roubos de cargas
como principal alvo: batizada de Onerat — carga, em latim —, contou com 5
mil homens num cerco ao Complexo do Lins, na Zona Norte. Na capital,
roubos de cargas diminuíram 3%.
Os roubos contra
pedestres foram o único indicador que apresentou melhora: são 4% de
casos a menos em relação ao mesmo período do ano passado. A diminuição
aconteceu predominantemente no interior do estado e na região de Niterói
e São Gonçalo. Na capital, esse crime cresceu 4% e, na Baixada
Fluminense, apresentou uma pequena redução, de 2% — 40 casos a menos, no
total.
Apesar
de ter à disposição 8,5 mil homens das Forças Armadas, o comando da
operação só usou o efetivo disponível em três ocasiões pontuais durante o
mês — operações “vagalume”, como definiu o ministro da Defesa Raul
Jungmann, em que os militares entram e saem das favelas no mesmo dia.
Além da investida no Complexo do Lins, aconteceram mais duas com o apoio
dos militares, no Jacarezinho, também na Zona Norte, e em Niterói.
Nenhum fuzil foi apreendido nessas três ocasiões.

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