A Câmara de Vereadores de Campos aprovou nesta terça-feira (19), por
unanimidade, um projeto de lei que visa incentivar a doação de sangue
voluntária. De autoria do vereador Igor Pereira (PSB), o projeto, que
agora aguarda a sanção do prefeito Rafael Diniz (PPS) para se tornar
lei, dispõe sobre a concessão de meia-entrada (50% do ingresso) em todos
os eventos culturais, esportivos e de lazer realizados no município aos
doadores de sangue regulares cadastrados no Hemocentro do Hospital
Ferreira Machado (HFM). De acordo com o texto aprovado, os doadores
também terão isenção nas taxas de concursos públicos de Campos. O
objetivo é aumentar o número de doadores regulares no HFM e,
consequentemente, evitar as recorrentes baixas no estoque.
São considerados doadores regulares de sangue aqueles registrados no
Hemocentro do HFM que realizam o procedimento a cada 90 dias no caso dos
homens e 120 dias, para mulheres — conforme o intervalo mínimo
recomendado pelo Ministério da Saúde. “A doação de sangue é um ato de
solidariedade, que brota no coração de cada um. Sabemos que essa doação
pode salvar vidas. Nosso projeto tem o objetivo de estimular a formação
de doadores contínuos e evitar que o estoque de sangue do Ferreira
Machado fique em níveis preocupantes”, afirmou Igor.
O projeto determina que o Hemocentro do HFM emita um certificado de
doação voluntária a cada doador, no qual devem constar informações como
nome completo, número da carteira de identidade e do CPF, data da
doação, carimbo do órgão, assinatura do responsável técnico, e o
histórico das coletas realizadas. Já nas casas de espetáculos deverão
afixar placas informativas, em local de grande visibilidade, informando
sobre a concessão de meia-entrada para os doadores regulares do HFM.
Caberá ao poder público municipal fiscalizar a efetiva aplicação da lei.
Com relação aos concursos municipais, o doador regular vai ficar
isento do pagamento de taxa de inscrição, tanto em certames para
provimento de cargos ou empregos efetivos, como os temporários. Os
órgãos e entidades da administração pública municipal deverão,
obrigatoriamente, apensar em seus respectivos editais de concursos o
benefício da isenção.
Para Igor Pereira, o projeto de lei tem mérito educacional, cultural,
desportivo e de saúde pública, já que facilita e incentiva a
participação em espetáculos de cultura, esporte e lazer, ao mesmo tempo
em que incrementa a doação regular de sangue, o que é crucial para a
saúde pública. “Nossa Constituição é clara ao afirmar que o sangue não
pode ser objeto de comercialização e temos consciência dos tristes fatos
ocorridos em nosso passado recente em decorrência da completa
desregulação dessa área. Creio, entretanto, que a proposições deste
projeto não se configuram como comercialização de sangue. Representam
formas de estimular nossos munícipes a praticarem a doação voluntária e
altruísta”, concluiu o vereador.

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