O juiz Ralph Manhães, que sentenciou Anthony Garotinho a 9 anos, 11
meses e 10 dias de prisão por “comandar o esquema criminoso” de troca
de votos por Cheque Cidadão, impôs, na noite desta terça-feira (19),
mais medidas restritivas ao ex-governador. O magistrado atendeu
parcialmente os pedidos feitos pelo Ministério Público Eleitoral e
determinou, entre outras medidas, a proibição de gravações no interior
da “casinha da Lapa”, onde Garotinho cumpre prisão domiciliar, além de
que a defesa mantenha um registro de todas as pessoas que ingressarem no
imóvel e a obrigação de informar o número de telefones celulares e fixo
das pessoas que frequentam a residência.
Desde a última quarta-feira (13), a ex-prefeita Rosinha Garotinho
tem feito várias transmissões ao vivo pelas redes sociais, inclusive de
dentro da casa onde Garotinho está, ao lado do advogado Carlos Fernando
dos Santos Azeredo, onde tem atacado com veemência o juiz, o promotor
Leandro Manhães, o delegado da Polícia Federal Paulo Cassiano e
adversários políticos.
Na decisão, Ralph também determinou a vedação de alteração de
domicílio sem prévia autorização judicial e permissão para a Polícia
Federal realizar qualquer diligência nos equipamentos de internet fixa
da casa. Em nota publicada nas redes sociais, Rosinha classificou a
atitude como “censura”.
Julgamento - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE)
incluiu na pauta de hoje do plenário o julgamento de um habeas corpus
preventivo impetrado pelos vereadores Kellinho (PR), Linda Mara (PTC),
Thiago Virgílio (PTC) e Jorge Rangel (PTB), que querem o trancamento da
ação penal em que são réus no âmbito da operação Chequinho.
No recurso, a defesa dos vereadores alega que a 100ª Zona Eleitoral
não poderia ser responsável pelo caso, uma vez que as investigações
teriam sido iniciadas pela 75ª Zona Eleitoral. No entanto, no último dia
21 de agosto, a desembargadora Cristina Serra Feijó, relatora da
Chequinho no TRE, já havia decidido liminarmente por rejeitar os
argumentos dos vereadores. Na ocasião, a desembargadora considerou que a
prisão em flagrante do vereador Ozéias (PSDB) em sua casa, que deu
origem as ações da Chequinho, aconteceu em endereço abrangido pela
circunscrição da 100ª Zona Eleitoral.
Réus em outra ação penal, os vereadores Ozéias e Miguelito (PSL),
além da ex-secretária de Desenvolvimento Humano e Social Ana Alice
Alvarenga e a ex-coordenadora do Cheque Cidadão Gisele Koch foram
intimados por Ralph Manhães, ontem, a apresentarem suas alegações finais
em até cinco dias. Esse é o último passo antes da sentença.

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