A ex-prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e o ex-secretário de
Governo da gestão passada, Anthony Garotinho, foram presos na manhã
desta quarta-feira (22/11) pela Polícia Federal (PF). Rosinha foi levada
para a sede da Polícia Federal em Campos. Anthony Garotinho estava no
Rio de Janeiro quando foi preso. Contra o casal foi expedido mandado de
prisão preventiva.
Agentes da PF estão realizando a Operação Caixa D'água, que, segundo
uma fonte da polícia, o esquema era centralizado com Garotinho, que
fazia a captalização e decidiu para quais candidatos iriam receber a
propina. Um dos alvos é o ex-secretário de Controle e Orçamento, Suledil
Bernardino, que também foi conduzido para a sede da PF em Campos. Os
policiais fizeram buscas na casa de Suledil. Ao todo, a polícia cumpriu
5 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão.
Segundo informou o site O Globo, Rosinha e
Garotinho são acusados, ao lado de outras seis pessoas, de integrarem
uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilícita com
empresários com o objetivo de financiar as próprias campanhas eleitorais
e a de aliados, inclusive mediante extorsão. Uma das pontas do esquema
foi revelada pelo delator Ricardo Saud, diretor de Relações
Institucionais da JBS, que contou, em depoimento na Superintendência da
PF no Rio no dia 24 de agosto, que repassou R$ 2,6 milhões, via caixa
dois, à campanha de Garotinho ao governo do estado em 2014.
O dinheiro da JBS, segundo Saud, fazia parte de um montante de R$ 20
milhões usado pela empresa para comprar o apoio do PR ao PT na eleição
de 2014. Os recursos representavam uma "poupança" referente a benefícios
irregulares conquistados pela empresa, como linhas de crédito no BNDES.
Garotinho e Rosinha são acusados ainda de corrupção passiva,
extorsão, lavagem de dinheiro e pelo crime eleitoral de omitir doações
nas prestações de contas. Há ainda um mandado de prisão contra o
ex-ministro dos Transportes Antônio Carlos Rodrigues, presidente
nacional do PR. A investigação aponta que ele intermediou o repasse
ilícito à campanha do ex-governador em 2014.
No pedido de prisão preventiva, o Ministério Público Eleitoral
argumenta que a organização criminosa ainda está em atividade, tentando
intimidar testemunhas e obstruir as investigações. Os mandados de prisão
foram expedidos pelo juiz Glaucenir de Oliveira, titular da 98ª Zona
Eleitoral de Campos.
Garotinho chegou a ser levado para o Corpo de Bombeiros do Humaitá,
onde permaneceria preso. Em seguida, a Vara de Execuções Penais enviou
ofício ao secretário de Administração Penitenciária, coronel Erir
Ribeiro da Costa, determinando a transferência do ex-governador para a
Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, onde ficam os presos
com curso superior.
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O esquema, segundo o MP, funcionou nas eleições de 2010, 2012, 2014 e
2016. A conexão com a JBS foi revelada por Saud e por outro delator, o
empresário André Luiz da Silva Rodrigues. Ele é sócio da Ocean Link,
empresa que assinou um contrato de fechada com a JBS, mecanismo
encontrado pelo grupo para que o dinheiro chegasse à campanha de
Garotinho. Rodrigues, dono de outra empresa que mantinha contratos com a
Prefeitura de Campos, então comandada por Rosinha, narrou que foi
avisado do depósito pelo policial civil aposentado Antônio Carlos
Ribeiro da Silva, conhecido como Toninho - ele é apontado como um dos
operadores financeiros de Garotinho.
Toninho teria ido à casa do empresário e, armado com duas pistolas,
pedido a ele que sacasse os R$ 2,6 milhões em espécie no banco. Como o
valor era alto, Rodrigues sacou os recursos em mais de um dia, cerca de
R$ 500 mil por vez - em uma das idas ao banco, disse que foi seguido por
Toninho. Durante a investigação, Renato Barros Damiano, funcionário do
banco que presenciou alguns dos saques, disse à PF que foi procurado
pelo policial com o objetivo de saber se ele tinha contado algo aos
investigadores e se tinha informação sobre uma possível colaboração de
Rodrigues com as investigações. Para o MP, é outra prova de que
Garotinho e seu grupo tentavam obstruir a Justiça.
O empresário também contou na delação que colaborou, via caixa dois,
com as campanhas de Garotinho a deputado federal, em 2010; de Rosinha à
reeleição na prefeitura de Campos, em 2012; e com candidatos a
vereadores aliados em 2016. No ano passado, Rodrigues afirma que foi
procurado pelo ex-subsecretário de Governo Thiago Godoy com o pedido de
doação de R$ 900 mil. A contrapartida seria a liberação de recursos que o
município devia ao empresário. Rodrigues repassou R$ 600 mil, em
espécie, e teve R$ 2,3 milhões pagos pela prefeitura, em dívidas
referentes a serviços já executados.
ATUALIZADO ÀS 10H10 - Nota oficial de Garotinho: "Querem
calar o Garotinho mais uma vez. O ex-governador Anthony Garotinho
atribui a operação de hoje a mais um capítulo da perseguição que vem
sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia
Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz
Zveiter. O ex-governador afirma que tanto isso é verdade que quem assina
o seu pedido de prisão é o juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que
decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado, logo após ele
ter denunciado Zveiter à Procuradoria Geral da República. Garotinho
afirma ainda que nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum e,
conforme disse ontem no seu programa de rádio, foi alertado por um
agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e
Jorge Picciani, durante a primeira prisão do deputado em Benfica. Na
ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na
cara de Garotinho. Agora, a ordem de prisão do juiz Glaucenir é para que
Garotinho vá com sua esposa para Benfica, justamente onde estão os
presos da Lava Jato. Cabe frisar que essa a operação à qual Garotinho e
Rosinha respondem não tem relação alguma com a Lava Jato".

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