Não é de hoje que pescadores da localidade Barra do Açu, em São João
da Barra, e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) – através do Parque
Estadual Lagoa Do Açu (Pelag) – vivem um impasse no que tange a abertura
de barra para passagem de peixes da lagoa para o mar. Nesta
quarta-feira (27/12), pescadores teriam tentado, por três vezes, fazer
abertura de barra, no entanto sem sucesso, já que o próprio mar não teve
força suficiente para jogar água para dentro da lagoa, levando apenas
areia, que acabou fechando o buraco.
“Não é o período para abertura dessa barra, porque não tem força da
água interna e a maré está sem pressão no mar. Eles [pescadores] só
estão perdendo tempo porque se conseguirem abrir será uma perda de
biodiversidade muito grande, e não estou falando só de peixes. Tudo isso
tem impacto muito grande porque o volume de água da lagoa vai todo para
o mar, inclusive leva peixes da água doce para o mar, que acabam
morrendo, como também você tem a entrada de um volume muito grande de
água salgada”, comentou o diretor do parque, Eron Costa.
Segundo o gestor, o período é de defeso, onde essas espécies desovam
e, se caso tiver uma mortandade durante esse tempo, as espécies não
alcançarão o período de maturação para que se tenham peixes futuramente
e, isso, seria um dano muito grande. “O Inea nunca foi contra a abertura
[da barra], mesmo levando em conta todo o dano que pode ocorrer. Mas,
tudo isso tem que ser estudado e feito de uma forma inteligente”.
Eron explicou que para fazer a abertura de uma barra, é preciso ter
um volume grande de água doce e a garantia de que está entrando água
nesse corpo hídrico, como também, a pressão do mar, porque sem isso a
abertura não terá sucesso. Além disso, é preciso fazer um levantamento
para ver se tem cardumes junto dessa orla.
Ele também disse que, no início de agosto desde ano foram feitas
algumas reuniões, extraordinárias e ordinárias, nas quais foi combinado
que pesquisadores e professores da Universidade Estadual do Norte
Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, que trabalham especificamente com esses
corpos hídricos, iriam ao local para fazer análises da água, no intuito
de detectar se a mesma estava podre, como os pescadores alegavam, e até
onde estava salinizada.
Ainda durante as reuniões, ficou acertado que não seria o momento
exato para abertura da barra, pois a região ainda passava por um período
de estiagem e a lagoa estava muito baixa e com pouca vazão de água
doce.
“No decorrer desses encontros nós descobrimos que o real objetivo dos
pescadores era a abertura [da barra] para a entrada de peixes,
principalmente alevinos. Sabendo disso, nós levamos a eles uma proposta
de fazer a introdução de alevinos para não precisar abrir a barra
naquele momento, o que foi aceito por todos. Acontece que, em outubro
deste ano, foi montada uma operação, porque detectamos que alguns
pescadores estavam pescando de forma totalmente ilícita. Na ocasião,
policiais ambientais (da 3ª Unidade de Policiamento Ambiental (UPAm) do
Parque do Desengano, fizeram a apreensão de material e encaminharam três
pescadores para a delegacia”, informou Eron.
FISCALIZAÇÃO PERMANENTE - Para inibir que pescadores façam novas aberturas no local, será
montado um ponto base por tempo indeterminado. De acordo com um policial
da unidade, uma equipe foi à capital fluminense apanhar um motor home
(veículo traçado) que pertence ao Inea. O veículo ficará alojado na
beira-mar, onde três equipes estarão de prontidão, por 24 horas.

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