quinta-feira, 8 de março de 2018

Dia Internacional da Mulher: antes do parabéns, o respeito


Geralmente, o Dia Internacional da Mulher é associado a comemorações a nível comercial. Lojas de cosméticos, de roupas, floriculturas, bombonieres, etc. costumam lucrar nesta data, afinal, é certo que as mães, esposas, namoradas e filhas sejam presenteadas e o mérito delas reconhecido. No entanto, esse cunho publicitário foge da proposta inicial do dia 8 de março: a politização. Isso porque a data foi criada com o intuito de assinalar o processo histórico de lutas pela equidade e pela liberdade de escolhas das mulheres na sociedade.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Campos (COMDIM), Vanessa Henriques, destaca a necessidade da reflexão a respeito do Dia da Mulher. “Todos os mimos destinados às mulheres neste dia são bem-vindos. Pessoalmente, adoro flores! Mas é bom focarmos nossos discursos na questão dos direitos civis. A celebração deste dia existe para nos lembrar de onde viemos, das mulheres que viveram antes de nós, que lutaram pela liberdade que desfrutamos hoje e que pagaram com a vida, em muitos casos. E este também é um dia para nos animar a continuar reivindicando respeito e tratamento igualitário”, evidencia.
Desafios e conquistas
Questionada quanto aos principais desafios da mulher nos dias de hoje, Vanessa foi contundente: a violência. Segundo dados do Mapa da Violência, publicado em 2015, nosso país ocupa a 5ª colocação num ranking de homicídio de mulheres formado por 83 países. Ainda de acordo com o Mapa, 50,3% do total de homicídios de mulheres ocorridos no ano de 2013 foram perpetrados por um familiar direto da vítima.
Vanessa ressalta ainda a questão da desigualdade social e salarial. “A mulher tem conseguido se apropriar do espaço público, disputando mais igualitariamente as vagas existentes no mercado de trabalho, mas no espaço privado, o papel masculino ainda continua insatisfatório quanto à divisão de tarefas. Por conta dessa sobrecarga que é imputada às mulheres, somos mais acometidas pela fadiga e por outros problemas psicológicos”, denunciou.
No que se refere aos avanços, a presidente do Conselho reconhece os do âmbito jurídico, como a criação da Lei Maria da Penha, em 2006, e a Lei do Feminicídio, em 2015. “No entanto, ainda precisamos trabalhar para que as redes de proteção à mulher, que integram os serviços de saúde, de assistência social, a Delegacia da Mulher, dentre outros equipamentos, aperfeiçoem sua prestação de serviços”, destacou.
Percebe-se que, nos últimos anos, o debate em torno dessas questões de gênero têm ganhado força. É o que Vanessa chama de “espírito do nosso tempo” que, segundo ela, está presente em inúmeras esferas sociais a nível nacional e internacional. “São as atrizes de Hollywood com as campanhas contra assédio, são as brasileiras contra os absurdos propostos pela PEC 181, etc. Estamos vivendo uma onda de avanços que é também acompanhada por uma reação dos setores mais conservadores da sociedade, que querem manter as mulheres em posições subordinadas”, disse.
Campos
Quanto a Campos, Vanessa lembra que, esta é uma cidade com muitos traços culturais conservadores. No entanto, por ser uma cidade com muitas Universidades, recebe jovens de todos os cantos do país e isso acaba também influenciando na dinâmica local. “Campos agrega o pensamento vanguardista e também o pensamento retrógrado herdado por nosso longo passado escravagista. Testemunharemos o que virá a florescer desse encontro”, refletiu.
COMDIM
No último ano, o conselho voltou a se reunir com regularidade e atuar como espaço para debates relativos aos direitos da mulher. “Promovemos reuniões ordinárias mensais, com pauta pré-estabelecida e publicada no Diário Oficial. Também possuímos página no Facebook, onde divulgamos as datas das reuniões, além de eventos e notícias pertinentes ao nosso tema de atuação”, explicou Vanessa. O objetivo do Conselho é fiscalizar, deliberar e propor questões relativas às políticas para as mulheres no município.
O COMDIM fica na Avenida Alberto Torres, Edifício Centro Executivo, nº 317, sala 1107, 11º andar. O telefone para contato é (22) 98175-0193. O atendimento é feito todos os dias, de 9h às 18h.
Ações
08/03 — Palestra “Gravidez na Adolescência”, ministrada pela assistente social Jéssica Gomes na Fundação Municipal da Infância e Juventude;
09/03 — Audiência Pública na Câmara Municipal às 17h e discussão do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres;
13/03 — Ação social na Praça Tito Vasconcelos, em Goytacazes;
16/03 — Reunião no Ministério Público para tratar do encaminhamento de atendimentos em prol da excelência no atendimento à mulher;
20/03 — Ação social na Vila Olímpica do Parque Esplanada;
24/03 — Ação social na Praça da Tira Gosto, na Lapa.
As ações sociais acontecerão de 9h ao meio-dia e estão previstos serviços de assistência jurídica, orientações de saúde com aferição de pressão arterial e dosagem glicêmica, avaliação odontológica, campanha contra violência doméstica, cortes de cabelo, trançagem com equipe do movimento EncresCampos e assistência social através de equipes dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Centros de Referência da Assistência Social (Cras). O Coral do Idoso também se apresentará em cada ação.

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