Geralmente, o Dia Internacional da
Mulher é associado a comemorações a nível comercial. Lojas de
cosméticos, de roupas, floriculturas, bombonieres, etc. costumam lucrar
nesta data, afinal, é certo que as mães, esposas, namoradas e filhas
sejam presenteadas e o mérito delas reconhecido. No entanto, esse cunho
publicitário foge da proposta inicial do dia 8 de março: a politização.
Isso porque a data foi criada com o intuito de assinalar o processo
histórico de lutas pela equidade e pela liberdade de escolhas das
mulheres na sociedade.
A presidente do Conselho Municipal dos
Direitos da Mulher de Campos (COMDIM), Vanessa Henriques, destaca a
necessidade da reflexão a respeito do Dia da Mulher. “Todos os mimos
destinados às mulheres neste dia são bem-vindos. Pessoalmente, adoro
flores! Mas é bom focarmos nossos discursos na questão dos direitos
civis. A celebração deste dia existe para nos lembrar de onde viemos,
das mulheres que viveram antes de nós, que lutaram pela liberdade que
desfrutamos hoje e que pagaram com a vida, em muitos casos. E este
também é um dia para nos animar a continuar reivindicando respeito e
tratamento igualitário”, evidencia.
Desafios e conquistas
Questionada quanto aos principais
desafios da mulher nos dias de hoje, Vanessa foi contundente: a
violência. Segundo dados do Mapa da Violência, publicado em 2015, nosso
país ocupa a 5ª colocação num ranking de homicídio de mulheres formado
por 83 países. Ainda de acordo com o Mapa, 50,3% do total de homicídios
de mulheres ocorridos no ano de 2013 foram perpetrados por um familiar
direto da vítima.
Vanessa ressalta ainda a questão da
desigualdade social e salarial. “A mulher tem conseguido se apropriar do
espaço público, disputando mais igualitariamente as vagas existentes no
mercado de trabalho, mas no espaço privado, o papel masculino ainda
continua insatisfatório quanto à divisão de tarefas. Por conta dessa
sobrecarga que é imputada às mulheres, somos mais acometidas pela fadiga
e por outros problemas psicológicos”, denunciou.
No que se refere aos avanços, a
presidente do Conselho reconhece os do âmbito jurídico, como a criação
da Lei Maria da Penha, em 2006, e a Lei do Feminicídio, em 2015. “No
entanto, ainda precisamos trabalhar para que as redes de proteção à
mulher, que integram os serviços de saúde, de assistência social, a
Delegacia da Mulher, dentre outros equipamentos, aperfeiçoem sua
prestação de serviços”, destacou.
Percebe-se que, nos últimos anos, o
debate em torno dessas questões de gênero têm ganhado força. É o que
Vanessa chama de “espírito do nosso tempo” que, segundo ela, está
presente em inúmeras esferas sociais a nível nacional e internacional.
“São as atrizes de Hollywood com as campanhas contra assédio, são as
brasileiras contra os absurdos propostos pela PEC 181, etc. Estamos
vivendo uma onda de avanços que é também acompanhada por uma reação dos
setores mais conservadores da sociedade, que querem manter as mulheres
em posições subordinadas”, disse.
Campos
Quanto a Campos, Vanessa lembra que,
esta é uma cidade com muitos traços culturais conservadores. No entanto,
por ser uma cidade com muitas Universidades, recebe jovens de todos os
cantos do país e isso acaba também influenciando na dinâmica local.
“Campos agrega o pensamento vanguardista e também o pensamento
retrógrado herdado por nosso longo passado escravagista. Testemunharemos
o que virá a florescer desse encontro”, refletiu.
COMDIM
No último ano, o conselho voltou a se
reunir com regularidade e atuar como espaço para debates relativos aos
direitos da mulher. “Promovemos reuniões ordinárias mensais, com pauta
pré-estabelecida e publicada no Diário Oficial. Também possuímos página
no Facebook, onde divulgamos as datas das reuniões, além de eventos e
notícias pertinentes ao nosso tema de atuação”, explicou Vanessa. O
objetivo do Conselho é fiscalizar, deliberar e propor questões relativas
às políticas para as mulheres no município.
O COMDIM fica na Avenida Alberto Torres,
Edifício Centro Executivo, nº 317, sala 1107, 11º andar. O telefone
para contato é (22) 98175-0193. O atendimento é feito todos os dias, de
9h às 18h.
Ações
08/03 — Palestra “Gravidez na
Adolescência”, ministrada pela assistente social Jéssica Gomes na
Fundação Municipal da Infância e Juventude;
09/03 — Audiência Pública na Câmara Municipal às 17h e discussão do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres;
13/03 — Ação social na Praça Tito Vasconcelos, em Goytacazes;
16/03 — Reunião no Ministério Público
para tratar do encaminhamento de atendimentos em prol da excelência no
atendimento à mulher;
20/03 — Ação social na Vila Olímpica do Parque Esplanada;
24/03 — Ação social na Praça da Tira Gosto, na Lapa.
As ações sociais acontecerão de 9h ao
meio-dia e estão previstos serviços de assistência jurídica, orientações
de saúde com aferição de pressão arterial e dosagem glicêmica,
avaliação odontológica, campanha contra violência doméstica, cortes de
cabelo, trançagem com equipe do movimento EncresCampos e assistência
social através de equipes dos Centros de Referência Especializado de
Assistência Social (Creas) e Centros de Referência da Assistência Social
(Cras). O Coral do Idoso também se apresentará em cada ação.

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