O dólar fechou esta terça-feira (6) em queda, pelo terceiro pregão
consecutivo e se reaproximando do patamar de R$ 3,20, acompanhando a
cena externa diante de alívio nas preocupações sobre eventual guerra
comercial após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar
que adotaria tarifas sobre a importação de aço e alumínio.
A cena política também ajudou no movimento, após o Superior Tribunal de
Justiça (STJ) negar habeas corpus preventivo ao ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, visto pelo mercado como um político menos
comprometido com o equilíbrio fiscal. O dólar recuou 1,16%, a R$ 3,2105
na venda, menor nível desde 1º de fevereiro (R$ 3,1690), acumulando
perdas de 1,36% nestas três sessões. O dólar futuro tinha baixa de cerca
de 1% no final da tarde.
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"Sabe-se que o presidente Donald Trump não encontra apoio no próprio
partido Republicano, encontrando-se isolado na defesa do protecionismo.
Reduzem-se, assim, os temores de uma guerra comercial global", trouxe a
SulAmérica Investimentos em relatório.
O mercado doméstico acompanhou a trajetória de baixa do dólar no
exterior, onde caía ante uma cesta de cesta e também sobre divisas de
países emergentes, como o peso mexicano, com o ambiente mais tranquilo.
Trump enfrentou crescente pressão de aliados políticos e de empresas
norte-americanas na véspera para não avançar com seus planos.
O apetite ao risco no exterior foi renovado ainda após acordo histórico
entre as Coreias do Norte e do Sul em negociações diretas. Os dois
países, ainda tecnicamente em guerra, terão sua primeira cúpula em mais
de uma década no próximo mês, aproveitando as tensões menores depois dos
Jogos Olímpicos de Inverno no mês passado na Coreia do Sul.
Internamente, o mercado também reagiu ao julgamento no STJ nesta tarde,
por meio do qual negou habeas corpus preventivo pedido pela defesa de
Lula para evitar a execução imediata da pena de prisão do petista,
condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em segunda instância no
processo do tríplex do Guarujá (SP). "Já estava no preço (a derrota no
STJ), mas o mercado simplesmente surfou na onda de notícias mais
favoráveis", comentou o profissional da mesa de derivativos de uma
corretora local.
O mercado avalia que o petista não seria um candidato à Presidência
comprometido com o ajuste das contas públicas e notícias que indiquem
que ele não concorrerá nas eleições deste ano acabam sendo favoráveis
aos ativos. O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção para o
mercado cambial nesta sessão. Em abril, vencem US$ 9,029 bilhões em
swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda de dólares no mercado
futuro.
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