Em uma nova carta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que
está "perplexo ao saber que [o juiz Sergio] Moro e o Ministério Público
não vão cumprir a determinação do STF".
A declaração foi revelada no último sábado (28) pelo jornal "Folha de
São Paulo". Na carta, que foi destinada a presidente nacional do Partido
dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, Lula se refere à decisão de
Moro de continuar conduzindo o processo contra o petista da reforma do
sítio de Atibaia (SP).
No entanto, dois dias antes da decisão do juiz federal, a 2ª Turma do
Supremo Tribunal Federal (STF) havia determinado a retirada das delações
premiadas dos executivos da empreiteira Odebrecht referentes ao imóvel.
"Fiquei perplexo ao saber que o Moro e o Ministério Público não vão
cumprir a determinação do STF. Que país é esse em que uma instância
inferior desacata a superior, em que um juiz de primeira instância
desacata os ministros da Suprema Corte?", escreveu Lula.
Moro defendeu que o processo possui mais provas além das delações dos
executivos da Odebrecht. "Oportuno lembrar que a presente investigação
penal iniciou-se muito antes da disponibilização a este Juízo dos termos
de depoimentos dos executivos da Odebrecht em acordos de colaboração,
que ela tem por base outras provas além dos referidos depoimentos,
apenas posteriormente incorporados, e envolve também outros fatos, como
as reformas no mesmo sítio supostamente custeadas pelo Grupo OAS e por
José Carlos Costa Marques Bumlai", destacou Moro, no despacho.
Na primeira carta de Lula, divulgada no dia 17 de abril, o
ex-presidente revelou ainda "acreditar na Justiça", além de ter
criticado o Ministério Público Federal e a Operação Lava Jato.
Preso desde o dia 7 de abril, Lula foi condenado a 12 anos de um mês de
cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por receber um
triplex no Guarujá (SP) como propina para beneficiar a empreiteira OAS
em contratos da Petrobras.
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