Já está nos planos do governo fluminense recorrer à presidência do
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para receber os recursos
da securitização de royalties e, assim, conseguir quitar, ainda em
abril, o 13º salário de 2017. Fontes do Palácio Guanabara lembram que
essa medida só ocorrerá caso a juíza em exercício da 10ª Vara de Fazenda
Pública, Juliana de Melo, conceda a liminar solicitada pelo Ministério
Público Estadual (MPRJ) para que o estado deixe de fazer a operação. Se
todo esse processo ainda demorar, a gratificação que está pendente para
167.111 servidores ativos, aposentados e pensionistas não será paga tão
cedo.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ) afirmou, no processo, que a
operação já foi concretizada. E a juíza despachou, ontem, dando o prazo
de 24 horas para o MPRJ se manifestar sobre as informações da PGE-RJ.
"Considerando que o réu informou que a operação descrita na inicial
já foi realizada e juntou aos autos cópia do contrato, sendo este
celebrado em data anterior ao ajuizamento da presente ação, dê-se vista
ao MPRJ, para que, querendo, se manifeste em 24h. Após, voltem
imediatamente conclusos", determinou a magistrada.
A ação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate
à Sonegação Fiscal e aos Ilícitos contra a Ordem Financeira (Gaesf) do
MPRJ na última sexta-feira, logo depois que o governo do Rio conseguiu
encerrar as negociações. E, conforme declarou o governador Luiz Fernando
Pezão à Coluna, também na sexta, esta semana seria só para encerrar a
burocracia dos contratos, pois a maior parte da operação já havia sido
finalizada. A antecipação de royalties renderá 600 milhões de dólares ao
caixa estadual, pouco mais de R$ 2 bilhões.
Riscos de prejuízos
Na ação, o Gaesf alegou falta de transparência por parte do governo
estadual e disse ainda que a operação de securitização de royalties
representa risco de prejuízos à previdência estadual. Os promotores
citaram dados fornecidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e
indicaram déficit do Fundo Único de Previdência Social do Estado
(RioPrevidência) de R$ 8,8 bilhões em 12 anos.

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