A paralisação dos caminhoneiros já causou uma perda de 77 milhões no
PIB da indústria no estado do Rio, segundo levantamento do Sistema
Firjan. O cálculo estima o prejuízo para a indústria de transformação em
cinco dias de greve, até a última sexta-feira (25). A Firjan ouviu
ainda 318 indústrias, que empregam mais de 38 mil trabalhadores, para
medir o impacto da paralisação no setor produtivo no estado. Nove em
cada dez empresas foram afetadas pela greve, com a produção reduzida ou
interrompida em quase 60% das indústrias.
Os setores Minerais Não Metálicos e Moda foram os mais prejudicados,
seguidos por Alimentos e Bebidas e Metal Mecânico, sendo atraso ou falta
de insumos e dificuldade para distribuição das mercadorias os
principais problemas. “Há uma grande preocupação de como as empresas,
especialmente as pequenas e médias — que são maioria no estado, vão
fazer para arcar com seus pagamentos, inclusive de funcionários, com a
aproximação do dia 1° de junho”, diz o vice-presidente da Firjan, Sérgio
Duarte. “É um prejuízo muito grande, que não tem mais volta, em um
momento de crise econômica, em que as empresas já operam com pouco
caixa”, ressalta o vice-presidente executivo da Federação, Ricardo Maia.
A proposta do governo que prevê a reoneração da folha de
pagamento para alguns setores da economia só vai agravar o problema, de
acordo com o economista-chefe da Firjan, Guilherme Mercês. “A
reoneração só vai trocar a carga tributária de um setor produtivo para o
outro, levando aumento de impostos de forma permanente para 46
atividades da indústria, o que representa ameaçar 400 mil empregos
diretos”, alerta Mercês.
Guilherme Mercês afirma ainda que a paralisação dos caminhoneiros
reflete a insatisfação com o peso da carga tributária no país. Os
impostos pagos no Brasil representam 32% do PIB, alcançando o mesmo
patamar de países desenvolvidos, embora o índice de retorno em serviços
para o bem-estar da sociedade brasileira seja o mais baixo entre os
países da América Latina. A indústria é o setor mais tributado da
economia, pagando quase a metade do que produz em impostos. “O que o
Brasil precisa é que os impostos já arrecadados atualmente sejam
empregados de forma eficiente”, defende Mercês.
A Firjan fez também um levantamento sobre o custo dos combustíveis no
país, constatando que o estado do Rio está entre os estados menos
competitivos. O óleo diesel no Rio é o 7º mais caro do país, resultado
do ICMS de 16%, o maior entre os estados do Sul e Sudeste. A gasolina
comum tem o 2º custo mais alto do país, 14,7% acima de São Paulo. O
estado do Rio tem a maior alíquota de ICMS para gasolina do país (34%),
quase 10% maior do que a média nacional.

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