Dores no corpo, febre, fortes dores nas articulações e vermelhidão
pelo corpo. Estes são os principais sintomas da chikungunya, doença que
atualmente tem deixado às autoridades e a população em alerta em função
do aumento dos casos suspeitos e confirmados. Em Campos não houve
notificação de óbito, mas o prontuário eletrônico do Centro de
Referência de Doenças Imuno-infecciosas (CRDI) mostra os números cada
vez mais elevados.
Somente no mês de maio foram notificados 1473 casos suspeitos e 59
casos confirmados com sorologia. Este mês já são três casos confirmados,
entre eles uma criança de dois anos que passa bem, segundo informou a
acadêmica Lynna de Paula Sentinelli.
“Há um mês a mãe da criança procurou atendimento no CRDI com quadro
clínico característico de chikungunya. Solicitamos a sorologia e foi
confirmado mais um caso. Foi quando resolvemos também pedir a sorologia
para a criança que também havia apresentado os mesmos sintomas, que foi
constatado que a mesma também contraiu a doença, sendo este o terceiro
caso confirmado em junho”, revelou.
Lynna explicou que na criança a doença não é crônica. “Já nos
adultos, há casos de pessoas que ficam até um ano sentindo dores nas
articulações. Por isso é importante a pessoa que estiver com os sintomas
da chikungunya, procurar tão logo o atendimento médico, o que facilita
na notificação e identificação de focos nos bairros”, disse.
Surto epidêmico – Esta semana, o diretor do CRDI, Luiz José de Souza,
anunciou esta semana que Campos já vive um surto epidêmico da
chikungunya. Para Luiz José, a tendência é de aumento no número de casos
confirmados este mês em função do alto número de casos suspeitos no mês
passado. “O caso da criança, por exemplo, a sorologia foi feita em
maio”, relatou.
De acordo com o diretor, este surto já era esperado. “O pico em
Campos é entre os meses de abril e junho, mas a nossa escala gráfica
subiu em maio. Demorou um pouco porque acreditamos que a vacinação
contra febre amarela imunizou a população de forma provisória. Tanto que
estourou agora”, explicou.
Luiz José informou que o índice de infestação no município está
elevado (6,1). “Alguns fatores podem ter contribuído para esta elevação,
como o descuido da população, a coleta de lixo talvez não estivesse
adequada. Houve falha no trabalho de prevenção. O nosso prontuário
eletrônico mostra visivelmente a doença espalhada em vários bairros,
entre eles o Turf Club, Parque Rodoviário, Parque Rosário, Pecuária e
Jardim Carioca, que estão sendo apontados com maiores índices”, falou.
Pacientes com sintomas característicos atendidos no CRDI - O aposentado Jorge Marques de Oliveira, 62 anos, que é morador do
Cidade Luz, em Guarus, chegou ao CRDI carregado pelo filho. “Comecei
sentir fortes dores no corpo e depois não conseguia mais ficar de pé.
Até dentro de casa o meu filho tem que me carregar para que eu possa
fazer alguma coisa”, disse o aposentado, colheu sangue na última
quinta-feira (07/06) para exame.
Assim que chegou ao CRDI, o entregador Alex Ferreira, 26 anos,
morador do Parque Rosário, logo foi colocado no soro. “Muita dor no
corpo e na cabeça. Já vinha sentindo essas dores há dias que só foram
piorando”, disse.
O comerciante Juan Carlos Barros Gomes, 29 anos, apareceu com
vermelhidão pelo corpo, levando-o a procurar o atendimento. “Como eu
fiquei sabendo que a vermelhidão é um dos sintomas da chikungunya,
resolvi procurar o médico, pois, além disso, fiquei bem caído com fortes
dores pelo corpo e muita febre”, revelou.

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